terça-feira, 20 de setembro de 2016

Informativo FOpEsp, nº 10

Livro Sobre a História do GruMec



Inicialmente elaborado como Trabalho de Conclusão de Curso acadêmico (Especialização em História Militar) o projeto de edição da referida obra não tem fins lucrativos, sendo desenvolvido com o intuito de promover a atividade do Mergulho de Combate (MEC) junto a diferentes setores das sociedades civil e militar em âmbito nacional e internacional.
Fracionado em três sessões distintas, no primeiro capítulo o livro aborda os pressupostos atinentes às Operações Especiais; dedicando-se a narrar, no segundo capítulo, os eventos significativos que balizaram o Mergulho de Combate (MEC) no decorrer dos diferentes períodos históricos; encerrando com a narrativa de 50 anos da atividade MEC no Brasil (1964-2014) no terceiro capítulo. A obra dedica-se ainda a apresentar uma cronologia fotográfica de mais de 40 imagens que ilustram momentos distintos de uma das unidades de elite brasileiras mais respeitadas no cenário doméstico e internacional.
Para que os leitores do blog FOpEsp possam se inteirar acerca do assunto ao qual o texto do livro se dedica, transcrevo abaixo um dos parágrafos contidos na obra:

[...] No decorrer do mês de junho de 1984, na Lagoa de Araruama, os operadores MEC inovaram uma vez mais promovendo um salto noturno na água a partir de uma aeronave de asa rotativa. Neste mesmo período, os MECs deram início a treinamentos na região da Bacia de Campos (costa norte do estado do Rio de Janeiro) visando a retomada de plataformas de petróleo e gás natural valendo-se de infiltração mergulhada a partir do lançamento de embarcações submarinas (Classe GUPPY) em submersão. Projetados com tecnologia norte-americana, os submarinos dessa classe foram resultado de um programa desenvolvido pela U.S. Navy após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de aprimorar a resistência, manobrabilidade e velocidade subaquática de suas embarcações. Adquiridos na década de 1970 pela MB, historicamente os sete submarinos dessa classe, por disporem de dispositivo que possibilitava o procedimento de guaritada, foram as únicas plataformas submarinas à serviço da Força Naval brasileira com capacidade de lançar/recolher MECs em imersão, condição que pode ser alterada por ocasião das novas embarcações nucleares desenvolvidas por ocasião do PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos).
Imagem 1: Arte da capa do livro "Guardiões de Netuno: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil. (Fonte: Acervo Editora Diagrarte).

Para àqueles que, cientes da importância desta obra para a projeção das OpEsp nacionais, têm interesse e disponibilidade para aderir à nossa campanha de doações para viabilizar a publicação deste livro, disponibilizamos a conta abaixo para captação de recursos:

Titular: Rodney Alfredo P. Lisboa
Banco: Itaú
Agência: 7455
Conta/Poupança: 195375/500

Destacamos que, independente do valor, qualquer apoio será providencial e muito bem acolhido!!!


A SORTE ACOMPANHA OS AUDAZES!!!




sábado, 10 de setembro de 2016

Informativo FOpEsp, nº 9

Publicação de Artigo

Fotografia 1: Cena do Filme "A Hora Mais Escura" (2012) retratando o procedimento de invasão da fortaleza de Osama bin Laden na cidade paquistanesa de Abbottabaddo conduzido pelo DEVGRU (Grupo de Desenvolvimento de Guerra Naval Especial) da Marinha dos EUA. (Fonte: Disponível em: https://filmcloud.wordpress.com/2013/01/19/review-zero-dark-thirty/ Acesso em: 9 set. 2016). 
Informo a todos os seguidores do blog FOpEsp que a Revista Segurança & Defesa em sua última edição (nº 123, p. 10-18), publicou um artigo de minha autoria com o título:


"O Emprego Estratégico de FOpEsp"

O texto aborda particularidades inerentes ao emprego estratégico das unidades militares de elite, em um contexto que que se estende para todos os níveis de condução da guerra/conflito e não as restringe à opção tática (limitada apenas ao campo de batalha).
Fotografia 2: Capa da edição nº 123 da Revista Segurança & Defesa, apresentando artigo alusivo ao Emprego Estratégico de Forças de Operações Especiais. (Foto: Acervo da Revista Segurança & Defesa).


sábado, 3 de setembro de 2016

Informativo FOpEsp, nº 8

Livro Sobre a História do GruMec

Fotografia 1: DstMEC (Destacamento MEC) em procedimento de infiltração submarina objetivando uma operação de asalto. (Fonte: Acervo do GruMec).

Prezados leitores, informo-lhes que no decorrer das próximas semanas estarei mobilizando esforços para promover a captação de recursos visando a publicação do meu livro:

"GUARDIÕES DE NETUNO: Origem e Evolução do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil"

Por demandar intenso esforço pessoal, esta tarefa limitará minha capacidade de promover novas postagens no decorrer desse período. Contudo, por considerar ser o referido trabalho uma obra de relevância para a comunidade castrense brasileira, acredito que esse empenho resultará saldos positivos para a atividade OpEsp atem um futuro próximo. 
Para que os leitores deste blog, possam se inteirar do projeto de publicação do referido livro, apresento-lhes uma breve sinopse do mesmo.

Sinopse: O Mergulho de Combate (MEC) constitui uma modalidade de guerra não convencional cujas origens se confundem com a gênese da guerra. Empregado em inúmeros conflitos travados no decorrer dos diferentes períodos históricos, o MEC teve um grande impulso em várias campanhas travadas por ocasião da Segunda Guerra Mundial, evoluindo substancialmente em termos metodológicos e tecnológicos desde então. No Brasil, em particular, a atividade MEC foi introduzida na Marinha na década de 1970 como resultado da experiência adquirida por um grupo de militares enviados aos EUA em 1964 na condição de aspirantes ao programa de formação em demolição submarina promovido pela Marinha norte-americana. Provendo suporte às operações de desembarque anfíbio realizadas pela Esquadra nacional, o MEC superou os sucessivos períodos de instabilidade político-econômica que comprometeram o desenvolvimento da sociedade brasileira na segunda metade do século passado. Utilizando documentos escritos como ponto de partida para a elaboração deste estudo, alicerçando a análise do material coletado em fontes bibliográficas pertinentes, o presente trabalho teve por objetivo investigar a série de eventos que balizaram a introdução e o desenvolvimento do MEC na Marinha do Brasil, identificando sua relevância para a Armada e o papel exercido pela unidade em questão entre 1964 e 2010. No intuito de identificar a crescente importância do MEC para o Poder Naval brasileiro e para a política de segurança das águas jurisdicionais brasileiras frente às ameaças estatais e não estatais esta investigação foi desenvolvida de modo a correlacionar a evolução estrutural, técnica e metodológica da atividade MEC no país com os diferentes períodos históricos da sociedade nacional e internacional no período em questão, de modo a compreender o papel assumido pelo MEC diante do novo cenário que colocava o Brasil em condição destacada na comunidade internacional. 

ObjetivoO presente trabalho foi inicialmente elaborado como Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em História Militar. Transformado posteriormente em texto para publicação no formato de livro, o projeto de edição da referida obra não tem fins lucrativos, sendo desenvolvido com o intuito de promover a atividade MEC junto a diferentes setores das sociedades civil e militar em âmbito nacional e internacional.

Considerando os inúmeros entraves relacionados ao mercado editorial brasileiro, que dificulta muito a iniciativa de autores independentes, estamos iniciando uma campanha coletiva de captação de recursos para financiamento deste projeto. Para àquele que, cientes da importância desse empreendimento, se dispuserem a contribuir financeiramente (qualquer valor ajudará substancialmente) para torná-lo uma realidade, sugerimos que acessem a página "Mergulhadores de Combate (Operações Especiais)" no Facebook (https://www.facebook.com/MergulhadoresDeCombateMb/?fref=ts), para que possam se inteirar sobre os dados da campanha de arrecadação. Agradeço a atenção e o apoio sempre demonstrados... FORTUNA AUDACES SEQUITUR!!!




quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A MÃO OCULTA QUE SEGURA O PUNHAL: Histórico das Forças Especiais do Exército Brasileiro (Parte 1)

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Fotografia 1: Militares que participaram do Curso de Operações Especiais 57/1 ministrado pelo CIEspAet (Centro de Instrução Especializada Aeroterrestre [atual Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil]).. (Fonte: Acervo do COpEsp).

No início da década de 1950, o NuDivAet (Núcleo da Divisão Aeroterrestre [denominação da Brigada de Infantaria Paraquedista entre 1953 e 1969]) do EB (Exército Brasileiro), localizado na Colina Longa, Vila Militar, Rio de Janeiro-RJ, cooperou em missões de busca e salvamento decorrentes, predominantemente, de acidentes aéreos. Nessa época, o esforço empregado nesse tipo de operação se baseava, sobretudo, no ímpeto e no espírito de corpo dos membros da tropa. Em 1953, face às dificuldades enfrentadas por ocasião da falta de planejamento, pessoal e meios adequados para a execução de tarefas dessa ordem, a Diretoria de Rotas Aéreas do Ministério da Aeronáutica identificou a necessidade de dispor de mão de obra especializada para conduzir missões de busca e salvamento. A partir dessa percepção, iniciou-se um trabalho conjunto envolvendo a Diretoria de Rotas Aéreas com o NuDivAet, então considerada como a principal unidade de elite do Brasil, com a finalidade de capacitar paraquedistas do EB na conduta de operações dessa natureza.
Por ocasião desta iniciativa, em 1956, atendendo a determinação do General de Brigada Djalma Dias Ribeiro (Comandante do NuDivAet), foi criada uma comissão, formada por integrantes do seu Estado Maior, com o objetivo de estabelecer normas de conduta para procedimentos de busca e resgate. Os trabalhos desenvolvidos pela comissão constituída pelo Major Gilberto Antônio Azevedo e Silva (diretor do Curso de Precursor Aeroterrestre [(atual Curso de Precursor Paraquedista]), pelos Capitães Augusto Vergner de Castro Araújo e Edmar Eudóxio Telesca, além do Tenente Sergio Barcelos Borges, resultaram na criação do Curso de Busca e Salvamento, ministrado pelos instrutores do CIEspAet (Centro de Instrução Especializada Aeroterrestre [atual Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil]).


Fotografia 2: Major Gilberto Antônio Azevedo e Silva na época em que servia junto ao NuDivAet (Núcleo da Divisão Aeroterrestre [atual Brigada de Infantaria Paraquedista]). Em 1956 o Major Gilberto encabeçou a comissão que foi encarregada de estabelecer parâmetros para o Curso de Busca e Salvamento, posteriormente transformado no Curso de Operações Especiais. (Fonte: BRASIL, 2007, p. 10).

Nesta época, o Comandante do NuDivAet, devidamente acompanhado de seu Estado Maior e dos instrutores do CIEspAet, realizou uma viagem para os EUA com o objetivo de visitar as unidades paraquedistas estadunidenses em Fort Bragg, Carolina do Norte. Durante essa visita, os brasileiros foram convidados pelo Exército norte-americano a conhecer as OpEsp (Operações Especiais) desenvolvidas pelos Ranger e pelos recém-criados (entre 1952 e 1953) SFG-A (Grupo de Forças Especiais-Aerotransportado [Special Forces Goup-Airborne]).
Impressionado pelas capacidades demonstradas pelas unidades de elite norte-americanas, após retornar ao Brasil o General Djalma decidiu alterar o currículo do Curso de Busca e Salvamento de modo a transformá-lo em um Curso de OpEsp. Assim, valendo-se do conhecimento obtido no exterior, a comissão elaborou a grade curricular do novo curso, que mediante alterações sugeridas pelo Estado Maior do NuDivAet, foi efetivado, em caráter experimental, no dia 2 de dezembro de 1957.
Inicialmente o Curso de OpEsp foi estruturado visando capacitar os alunos, recrutados em caráter de voluntariado, na condução das seguintes tarefas: conquista de pontos chave; golpes de mão (ofensiva executada de surpresa com o intuito de aniquilar uma força inimiga e/ou destruir suas instalações/equipamentos; sabotagens; destruições; socorro e ajuda a populações ameaçadas por catástrofe; coleta de informações; enquadramento e instrução de guerrilheiros; captura de chefes inimigos; busca e salvamento (eventualmente).
Tendo sido nomeado o Major Gilberto como instrutor-chefe do curso, contribuíram para as instruções ministradas oficiais e graduados (sargentos) vinculados ao NuDivAet, bem como militares e civis de notável destaque em seus respectivos segmentos profissionais. 

Figura 1: Distintivo das Forças Especiais do Exército Brasileiro idealizado pelo Major Gilberto Antônio Azevedo e Silva por ocasião do 1º Curso de Operações Especiais. O título deste texto é uma referência direta a este distintivo. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Na época em que foi publicado, o edital de inscrição do curso chamou a atenção de 35 militares paraquedistas, todos atraídos pelo ineditismo e pelas experiências que esse curso de combate poderia agregar em suas carreiras. Onze dos 35 candidatos desistiram antes mesmo de ser iniciada a bateria de exames clínicos e testes físicos requeridos para o ingresso no curso, que foi realizado em dois módulos: 1º Formação de Comando, com carga horária de 392 horas (realizado entre os dias 02/12/1957 e 13/03/1958); 2º Habilitação para Cumprimento de Missões Específicas de OpEsp, com carga horária de 133 horas (realizado entre os dias 02/06/1957 e 04/07/1957).
No relatório elaborado em consequência do progresso do Curso de OpEsp (então designado 57/1) foi proposto a constituição do 1° Destacamento de OpEsp, unidade que seria estruturada em quatro equipes de OpEsp, seção de comando, seção de manutenção e aprovisionamento, e seção de material de comunicações. Conforme proposto no relatório, cada uma das equipes de OpEsp deveria ser composta por nove operadores FE (Forças Especiais) qualificados nos seguintes cursos: precursor paraquedista; dobragem e manutenção de paraquedas e suprimento de ar; engenharia; saúde. Entretanto, ao final do curso, os 15 operadores concluintes (considerados como pioneiros da atividade OpEsp no EB) foram distribuídos pelas diferentes unidades do NuDivAet, permanecendo em condições de serem empregados a qualquer momento.

Figura 2: Relação de militares considerados como pioneiros da atividade OpEsp realizada pelo Exército Brasileiro. À exceção do Major Gilberto (instrutor), todos os demais foram alunos concluintes do Curso de Operações Especiais 57/1. (Fonte: Elaborado pelo autor). 

Tendo por finalidade viabilizar a participação de militares não qualificados como paraquedistas, na transição entre as décadas de 1950 e 1960, ocorreu a criação do Estágio de Comandos na estrutura curricular do Curso de OpEsp. Esse Estágio, ministrado inicialmente como primeira fase dos Cursos de Precursor Aeroterrestre e Operações Especiais, abriria espaço para o desmembramento do Curso de OpEsp de modo a originar (1966) o Curso de Comandos, que também seria administrado pelo CIEspAet.
Por assemelhar-se ao conceito operacional executado pelos SFG-A norte-americanos (caracterizados por lançarem mão, preferencialmente, de métodos de Ação Indireta), em 1964 o termo “Operações Especiais”, empregado até então em referência às atividades análogas desenvolvidas no Brasil, foi alterado para “Forças Especiais”. Assim, em 1967 o curso é realizado pela primeira vez ostentando sua nova denominação (Curso de Forças Especiais).
Posteriormente, a transferência do Coronel Joffre Coelho Chagas (chefe dos cursos de especialização do CIEspAet) para a AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras [estabelecimento de ensino localizado na cidade de Resende-RJ]), ocorrida no decorrer de 1966, possibilitaria o ingresso da temática OpEsp nos estágios de instrução ofertados na escola de formação de oficiais do Exército. Atuando como professor, o Coronel Joffre colaborou na criação do DIEsp (Departamento de Instrução Especializada [atual SIEsp/Seção de Instrução Especializada]), cuja finalidade era promover instruções de combate para os cadetes.
Em 1968, por ocasião de uma Portaria Ministerial datada de 12 de agosto, os Cursos de Forças Especiais e Comandos ministrados pelo CIEspAet foram oficialmente reconhecidos, sendo ativado o DFEsp (Destacamento de Forças Especiais), primeira unidade de OpEsp do Exército Brasileiro. Com sede na Colina Longa, Vila Militar-RJ, essa unidade inicialmente permaneceu sob autoridade do CIEspAet, sendo posteriormente subordinada à BdaAet (Brigada Aeroterrestre [denominação da Brigada de Infantaria Paraquedista entre 1969 e 1971])). Dotado com o valor de uma companhia, o DFEsp encontrava-se estruturado por dois DOFEsp (Destacamentos de Operações de Forças Especiais) e um DstCooCt (Destacamento de Coordenação e Controle), sendo que cada destacamento dispunha de 12 operadores FE (quatro oficiais e oito graduados [sargentos]). 


Fotografia 3: Instalações do NuDivAet (Núcleo da Divisão Aeroterrestre) localizado na Colina Longa, Vila Militar, Rio de Janeiro. (Fonte: Acervo do COpEsp).



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Informativo FOpEsp, nº 7

Curso de Extensão Universitária

Fotografia 1: Militantes do grupo extremista Estado Islâmico. (Fonte: Disponível em: http://portalconservador.com/quem-financia-o-estado-islamico-desvendando-o-exercito-do-terror/ Acesso em: 20 ago. 2016).

Informo a todos os leitores do blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais) sobre a realização de Curso de Extensão Universitária abordando a temática “PERCEPÇÃO E REAÇÃO AO TERRORISMO”. Considerado como uma manifestação de violência física e/ou psicológica com o objetivo de incutir medo e alcançar os objetivos estabelecidos por seus perpetradores, o terrorismo carece de métodos inovadores e diversificados para sua identificação, inibição e enfrentamento. Desenvolvido com a participação de profissionais dos principais países alvos de atentados terroristas na atualidade, o referido curso trata de forma simples e prática a filosofia moderna de combate ao terror.

Objetivo: Visa aguçar a capacidade de qualquer pessoa na identificação dos diferentes tipos de atentados terroristas e apresentar algumas das reações recomendadas nessas situações.

Conteúdo: Terrorismo Contemporâneo; Organizações Terroristas; Radicalização e Lobos Solitários; Percepção de uma ameaça terrorista; Identificação de atentado com armas Químicas / Biológicas / Radiológicas / Nucleares (QBRN); Identificação de artefatos explosivos; Estudo de casos recentes; Os 7 sinais de um atentado terrorista; Ações terroristas do crime organizado.

Formador: Coronel FERNANDO MONTENEGRO
Oficial da Reserva do Exército Brasileiro. Ex-operador das Forças Especiais e Comandos do Exército Brasileiro; Ex-Oficial de Operações e Inteligência do Destacamento de Contraterrorismo, Mestrado em Ciências Militares; Conduziu treinamentos para: SEALs (Marinha dos EUA), Special Forces (Exército dos EUA), Legião Estrangeira francesa e outras FOpEsp (Forças de Operações Especiais) brasileiras e internacionais. Professor do Curso de Pós Graduação em Gestão e Direção de Segurança na Universidade Autónoma de Lisboa. Comandou a ocupação dos Complexos do Alemão e Penha em 2011 e 2012-Rio. Instrutor de Krav Maga e Faixa Preta de Karatê. Consultor de Segurança, Diretor de Segurança em Portugal, Auditor do Curso de Defesa Nacional de Portugal, Comentarista de Segurança convidado da GLOBONEWS.

Público alvo: Aberto para interessados de qualquer segmento. Indispensável aos profissionais de segurança. Relevante, principalmente, para àqueles que viajam (a negócios ou em férias) para países onde o número de atentados tem se multiplicado (América do Norte, Europa, Oriente Médio, etc.).

Certificado: Emissão de certificado de Extensão Universitária.

Local: Rua Padre Chico, n° 93, Pompéia, São Paulo-SP.

Data: 14/09/2016

Duração: Início: 08:00hs  Término: 18:00hs

Número de vagas: 40

Investimento: R$570,00

Informações e Reservas: Tel. (11) 3666-9893   E-mail: financeiro@jseg.net

Realização: Jornal da Segurança; Escola Superior de Segurança; FACEI (Faculdade Einstein).




sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Concepção e Engajamento das Forças Especiais do Exército dos EUA no Conflito do Vietnã (Parte Final)

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.


Fotografia 1: Operador do 5th SFG-A posa para foto com combatentes montagnards recrutados para o programa CIDG (Grupo de Defesa Irregular Civil) responsável por confrontar o vietcongue e o EVN (Exército do Vietnã do Norte) na região das montanhas centrais vietnamitas. (Fonte: Disponível em: http://seanlinnane.blogspot.com.br/2011/11/special-forces-equals-green-berets-got.html Acesso em: 17 ago. 2016). 

Dividida em cinco territórios distintos, compreendendo a Cochinchina, Annan e Tonquim (regiões sul, central e norte do Vietnã, respectivamente), além do Laos e do Camboja, a Indochina Francesa (assim conhecida por ocasião dos eventos ocorridos durante a Segunda Guerra do Ópio [1856-1860]) foi palco de um dos maiores conflitos armados travados na segunda metade do século XX. Localizada na região sudeste da Ásia, a Indochina viu arrefecer a administração francesa no decorrer da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) quando a França foi levada a render-se perante a ameaça representada pela Alemanha Nazista. Estando o governo francês isolado na cidade de Vichy (cidade sede das Forças Livres Francesas que lutavam contra a ocupação do país pelos alemães), a administração colonial na Indochina mostrava-se frágil e deteriorada em virtude da incapacidade do governo central de prover qualquer auxílio às possessões asiáticas.
Aproveitando-se da fragilidade francesa na região, o Japão, que juntamente com a Alemanha e a Itália compunha as forças do Eixo, tomou o controle da Indochina em março de 1945. Posteriormente, com a rendição das tropas japonesas, que colocou ponto final nas hostilidades da Segunda Grande Guerra, movimentos nacionalistas, que haviam se unido para criar a Frente pela Independência do Vietnã (Vietminh), invadiram a cidade de Hanói (futura capital do Vietnã do Norte) assumindo o controle sobre região norte do país e proclamando a República Democrática do Vietnã em setembro de 1945.
Através da Conferência de Potsdam (Alemanha) realizada em 1945, as grandes potências concordaram que tropas britânicas (ao sul) e chinesas (ao norte) fossem encarregadas de organizar a retirada das tropas japonesas da Indochina. Contando com a colaboração britânica, a França foi reintroduzida no território indochinês retomando a administração na região sul. Embora incomodado com a presença francesa, Ho Chi Minh (líder do Partido Comunista e chefe do governo norte-vietnamita) fez um acordo com a França, permitindo a presença temporária de tropas no sul desde que os franceses reconhecessem a legitimidade da República Democrática do Vietnã e estabelecessem um prazo para a retirada de suas tropas. Entretanto, esse tratado foi ignorado em virtude da persistência francesa em manter um governo colonial na Cochinchina. A posição tomada pela França foi o estopim para o conflito entre as tropas francesas e o Vietminh, que recebeu apoio substancial da China e da URSS.



Figura 1: Insígnia de ombro usada pelos operadores das Forças Especiais do Exército dos EUA. (Fonte: Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Special_Forces_(United_States_Army) Acesso em: 17 ago. 2016).

Nos primeiros anos da década de 1950, o impasse gerado pela divisão do território vietnamita em dois governos antagonistas (a República Democrática do Vietnã no norte e o governo colonial francês no sul) levou as tropas francesas a conduzirem uma ofensiva que confrontaria o poder de fogo francês contra a capacidade de um exército formado essencialmente por camponeses. Contudo, em maio de 1954, os franceses foram subjugados pelos vietcongues na pista de pouso de Dien Bien Phu, localizada a 300km a oeste de Hanói. Finalmente, em julho do mesmo ano, por ocasião da Conferência de Genebra (Suíça), tratativas entre a França e o Vietminh acabaram por definir um acordo militar que dividia o Vietnã na altura do paralelo 17, originando a República do Vietnã (Vietnã do Sul [sob controle francês]) e a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte [sob autoridade de Ho Chi Minh]).
Iniciada a década de 1960, John Fitzgerald Kennedy, então presidente dos EUA, mostrava-se preocupado com a crescente influência comunista no Vietnã. A formação da FNL (Frente Nacional para Libertação do Vietnã [cujos combatentes ficaram conhecidos pelo termo “vietcongue”) tornou ainda mais frágil à situação sociopolítica do Vietnã do Sul, à medida que os vietcongues atacavam guarnições de segurança do governo principalmente nas regiões mais afastadas das grandes cidades. A vulnerabilidade do autoritário e incipiente governo sul-vietnamita levou o presidente Ngo Dinh Diem a decretar estado de emergência e solicitar maior apoio militar aos EUA.
Atendendo ao apelo do governo sul-vietnamita, em 1961 Kennedy enviou quadros operacionais do 1st SFG-A para treinar o exército daquele país em táticas de guerrilha. Embora tenham desembarcado oficialmente em solo vietnamita apenas no final da década de 1950, quadros operacionais das FEsp (Forças Especiais) estadunidenses já atuavam na região provendo consultoria ao ERV (Exército da República do Vietnã) desde o início dos anos 1950.
Para se prepararem adequadamente para o conflito, as FEsp norte-americanas absorveram os ensinamentos do GCMA (Grupamento de Comandos Mistos Aerotransportados [Groupement de Commandos Mixtes Aéroporté]) francês nas ações levadas à efeito por ocasião da Primeira Guerra da Indochina (1946-1954), bem como da luta contra insurgente efetuada pelo destacamento de Malayan Scouts e operadores do SAS (Serviço Aéreo Especial [Special Air Service]) britânico na Malásia. A expertise francesa evidenciou a relevância da organização de guerrilhas étnicas, enquanto a experiência britânica apresentou-lhes as bases da doutrina insurrecional, segundo a qual era necessário reunir a população nativa em aldeias denominadas “povoados estratégicos”, para, posteriormente, cortar as linhas de suprimentos dos insurretos, levando o combate para o coração da selva onde os nativos recrutados dominavam o terreno.  

Fotografia 2: Operador do 5th SFG-A atuando como consultor das tropas do ERV (Exército da República do Vietnã) em uma patrulha ribeirinha conduzida nas proximidades da fronteira com o Camboja. (Fonte: WIEST; McNAB, 2016, p. 33).

Com a morte de Kennedy em 1963, Lyndon Johnson assumiu a presidência dos EUA focando a questão do Vietnã como decisiva para conter o avanço do comunismo na Ásia. Ele não apenas intensificou o auxílio militar dado ao Vietnã do Sul, como também autorizou ações clandestinas de tropas norte-americanas contra alvos do Vietnã do Norte. O envolvimento efetivo dos EUA na Guerra do Vietnã (1955-1975) deu-se a partir de 30 de julho de 1964, em virtude de um suposto ataque realizado por forças norte-vietnamitas contra o USS Maddox, contratorpedeiro estadunidense que patrulhava o golfo de Tonquim. Em represália, a Força Aérea norte-americana (US Air Force) bombardeou o território do Vietnã do Norte dando início à guerra aérea.
O Vietnã era constituído, em grande parte, por minorias étnicas tribais que eram ignoradas pelo governo do Vietnã do Sul. Valendo-se dessa fragilidade, o vietcongue impunha sua autoridade explorando e cooptando essas minorias. Com o intuito de minimizar a influência inimiga, expandir a presença do governo, e trazer a população carente para a luta nacional, as forças de defesa optaram por empregar ElmOpEsp (Elementos de Operações Especiais) norte-americanos para organizar forças locais de autodefesa compostas por membros dessas comunidades tribais.
No Vietnã as atividades das FEsp norte-americanas concentravam-se em duas áreas principais: ações nas montanhas da região central do Vietnã; operações secretas conduzidas no Laos e no Camboja (em um tratado formalizado em 1962, os EUA e o Vietnã do Norte se comprometiam a respeitar a neutralidade desses dois países asiáticos). Em 1964, ano em que a guerra começou a se intensificar, o contingente de tropas especiais dos EUA presente no Vietnã já havia treinado cerca de 1.900 montagnards (termo usado para designar os povos nativos da região das montanhas centrais do Vietnã) com o objetivo de emprega-los no programa CIDG (Grupo de Defesa Irregular Civil [Civilian Irregular Defense Group]), destinado a defender as aldeias e emboscar o movimento vietcongue e o EVN (Exército do Vietnã do Norte).
No ano seguinte, as FEsp organizaram a primeira “Força MIKE” (Força de Ataque Móvel [Mobile Strike Force Command]), composta por 1.800 guerreiros tribais mais bem preparados que os integrantes das CIDG. Agindo como uma força de reação rápida, cabia à Força MIKE a execução de patrulhas de reconhecimento, busca e destruição de tropas/alvos inimigos.
No início da guerra, os ElmOpEsp do 1st, 5th e 7th SFG-A foram engajados no conflito. Contudo, a partir de 1965 todas as OpEsp à cargo do Exército passaram a ser de responsabilidade do 5th SFG-A. Ainda que tenham se envolvido em inúmeras situações de combate, as FEsp também dedicaram-se às ações de desenvolvimento social (construção de rodovias, pontes, postos de saúde, entre outros), a maior parte delas realizadas na região das montanhas centrais com o objetivo de garantir suporte às tribos montagnards.
Enquanto durou a guerra, o Exército dos EUA e suas FEsp valeram-se de métodos distintos para o desempenho de suas funções. Enquanto o Exército posicionava-se de maneira favorável ao governo sul-vietnamita para ganhar apoio da população civil, as FEsp, por sua vez, operando em uma região onde o governo tinha pouco controle, acabavam por ocupar o papel que, na teoria, seria do governo, fato que fez com que as FEsp angariassem a simpatia e o apoio das populações tribais.

Fotografia 3: Quadros operacionais do 5th SFG-A e nativos montagnards da 5ª Força MIKE. Na imagem, os tribais apresentam armas inimigas capturadas aos militares norte-americanos. (Fonte: ROTTMAN; VOLSTAD, 1999, p. 48). 

Operações de inteligência conduzidas pela CIA (Agência Central de Inteligência [Central Intelligence Agency]) identificaram a existência de tropas norte-vietnamitas operando em terreno laociano e cambojano. Essa descoberta precipitou a necessidade de dispor homens para confrontar as forças inimigas além das fronteiras do Vietnã do Sul com o Laos e o Camboja (países considerados neutros). Para esse fim, em 1964 seria constituído o SOG (Grupo de Estudo e Observação [Studies and Observations Group]), unidade dirigida pelo MACV (Comando Militar de Assistência ao Vietnã [Military Assistance Command, Vietnam]). Composta de forma heterogênea, o SOG era composto por dois ou três militares norte-americanos qualificados como FEsp, responsáveis por recrutar e treinar dezenas de habitantes locais para que pudessem realizar missões de reconhecimento e sabotagem contra os vietcongue e o EVN. As missões desempenhadas pelos membros do SOG no Laos e no Camboja eram designadas por seu nome código, Daniel Boone (posteriormente Salem House) para o Laos, e Pikes Hill para o Camboja.
Criadas em decorrência do programa Phoenix, idealizado pela CIA no intuito de identificar e eliminar a organização político-administrativa vietcongue), as PRU (Unidades de Reconhecimento Provisórias [Provisional Reconnaissance Units]) tinham a tarefa de recrutar e formar, valendo-se de operadores SEAL e FEsp norte-americanos, pequenas unidades compostas por nativos, mercenários e desertores da FNL para eliminar integrantes e militantes do vietcongue.
A partir de 1970, o 5th SFG-A começou a reduzir gradativamente suas atividades operacionais, dando início ao processo de retirada de seu contingente do território vietnamita, fato que ocorreria definitivamente em março do ano seguinte. Entretanto, operadores da unidade continuariam a participar de operações de inteligência até a derrocada do governo sul-vietnamita, ocorrida no final de abril de 1975.

Referências

ROTTMAN, Gordon L.; VOLSTAD, Ron. US Army Special Forces 1952-84. Elite Series 4. Oxford: Osprey Publishing, 1999.

THOMPSON, Leroy. U.S. Special Operations Forces in the Cold War. The G.I. Series. London: Greenhill Books, 2002.

WIEST; Andrew; McNAB, Chris. A História da Guerra do Vietnã. São Paulo: M. Books, 2016.




segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Concepção e Engajamento das Forças Especiais do Exército dos EUA no Conflito do Vietnã (Parte 1)

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.


Fotografia 1: Operador do 5th SFG-A (5° Grupo de Operações Especiais-Aerotransportado) interagindo com tropas sul-vietnamitas. (Fonte: THOMPSON, 2002, p. 12). 

Para que se possa contextualizar o histórico das Forças Especiais (FEsp) do Exército dos EUA, primeiramente é necessário esclarecer alguns aspectos acerca da terminologia. Para a sociedade civil e para considerável parcela da sociedade militar, pouco familiarizadas com o ambiente das unidades militares de elite, o termo Forças Especiais é empregado de forma análoga à expressão Operações Especiais (OpEsp). Apesar da similaridade, uma vez que ambas estão relacionadas às atividades militares de natureza não convencional, a definição contextual delas é absolutamente distinta. As OpEsp englobam uma ampla diversidade de tarefas, cuja singularidade, estão além das capacidades operacionais das tropas convencionais. Por sua vez, as FEsp dedicam-se à categorias específicas de OpEsp que enfatizam o método de Ação Indireta (quando não há contato direto com as forças inimigas) no intuito de moldar o ambiente operacional e/ou prover suporte (assessoramento/treinamento) para forças militares ou paramilitares de nações amigas envolvidas em situações de crise e/ou conflito.
Embora a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) balize o emprego sistemático de OpEsp (Operações Especiais), foi durante a Guerra Fria (1947-1991) que as FFAA (Forças Armadas) norte-americanas estabeleceram o conceito de emprego para suas FEsp. O choque de ideias instaurado após a Segunda Guerra entre os blocos capitalista (liderado pelos EUA) e socialista (liderado pela URSS [União das Repúblicas Socialistas Soviéticas]), acirrou os ânimos instigando uma atmosfera de antagonismo ideológico ao redor do mundo. Em alguns casos, essa incompatibilidade levou ao desencadeamento de lutas regionais (guerras de conquista) ou violentas manifestações de insurgência (rebelião contra uma autoridade constituída). Essa atmosfera belicosa conferia aos Estados vinculados a ambos blocos a necessidade de dispor de organizações aptas a executar ações clandestinas (realizadas de forma sigilosa, distante da opinião pública e sem denunciar o envolvimento do país que as patrocina) nas regiões globais onde fossem solicitadas.


Figura 1: Oficiais do Exército dos EUA considerados como fundador (McClure) e co-fundadores (Fertig, Volckman e Bank) das FEsp norte-americanas. (Fonte: Elaborado pelo autor). 

Nos EUA, coube ao Brigadeiro General Robert Alexis McClure, comandante da OPW (Divisão de Guerra Psicológica do Exército [Office of Psychological Warfare]), a iniciativa de promover a criação de unidades vocacionadas para este fim. Convicto de suas percepções, e enfrentando a resistência da ala conservadora da Força Terrestre (cujo pensamento estava enraizado nos conceitos da guerra clássica e direcionado para o contexto da guerra nuclear), em 1951 McClure acabou por instituir e vincular uma Seção de Operações Especiais ao órgão que comandava. Liderada pelo Coronel Wendell Fertig, a Seção de Operações Especiais (Special Operations Section) da OPW passou a operar tendo os Coronéis Russel William Volckman e Aaron Bank, respectivamente, como Oficial de Planejamento e Diretor de Operações. Veteranos da Segunda Guerra, tanto Fertig, quanto Volckman e Bank, haviam prestado relevante contribuição na assessoria a movimentos de guerrilha que se opunham às tropas do Eixo nos teatros da Europa e do Pacífico. Adicionalmente, foram incorporados à Seção de Operações Especiais antigos integrantes da OSS (Agência de Serviços Estratégicos [Office of Strategic Services]), serviço de inteligência dos EUA durante a Segunda Guerra, e dos Merrill`s Maraunders, tropa norte-americana constituída entre 1943 e 1944 para conduzir operações irregulares na Birmânia (atual Myanmar) contra os japoneses.
Embora não tivesse oferecido condições para o desencadeamento de OpESp, a Guerra da Coréia (1950-1953) teve importância como primeiro campo de experimentação para a OPW. 


Figura 2: Insígnia dos SFG-A usado sobre o distintivo identificador da unidade junto à boina. Expresso em latim  o lema (Para Libertar os Oprimidos) que aparece ao longo do viés remete ao modo de agir (Ação Indireta) das FEsp  norte-americanas. (Fonte: Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Special_Forces_(United_States_Army) Acesso em: 13 ago. 2016).

Em junho de 1952, sob o comando do Coronel Aaron Bank, foi criado o 10th SFG-A (10° Grupo de Operações Especiais-Aerotransportado [10th Special Forces Group-Airborne]) foi ativado. A unidade recém instituída reunia um grupo heterogêneo de voluntários oriundos de diferentes unidades do Exército, incluindo soldados jovens inexperientes e veteranos de conflitos passados.
A eclosão de uma revolta trabalhista, perpetrada por operários da construção civil na Alemanha Oriental em junho de 1953, tornou-se generalizada incitando a população contra o governo. Ainda que o levante tenha sido rápida e violentamente reprimido pelas autoridades locais (com ajuda de forças soviéticas), o evento despertou a atenção do Exército norte-americano para a necessidade de dispor de tropas na Europa a fim de responder prontamente às situações de crise. Diante dessa exigência, grande parte do contingente do 10th SFG-A foi desdobrado para a Alemanha, permanecendo nos EUA um pequeno grupo de oficiais e graduados (sargentos), além de soldados recém-integrados e/ou com pouco treinamento. Em setembro do mesmo ano, esses remanescentes acabariam por constituir o 77th SFG-A (para adequar-se à configuração estabelecida pelo Exército, essa unidade seria redesignada como 7th SFG-A em maio de 1960).
Historicamente, desde sua gênese, os SFGs foram estruturados de forma particular, sendo organizados em diferentes equipes denominadas ODA (Destacamento Operacional Alpha [Operational Detachment Alpha]). Também conhecidos como “A-Team”, cada ODA era constituído por 12 homens distribuídos conforme sua MOS (Especialidade Ocupacional Militar [Military Occupational Specialty]): operações; inteligência; armamentos; comunicações; engenharia; saúde. Além de suas especialidades, cada operador deveria ser versado em operações de contra insurreição, recrutamento político de população civil, instrução militar de guerrilheiros e incursões de profundidade na retaguarda do inimigo com o suporte de irregulares locais. Na estrutura organizacional dos SFGs, quatro ODA reunidos formavam um ODB ou B-Team, enquanto três ODB compunham um ODC ou C-Team.


Fotografia 2: Quadros operacionais de um ODA (Destacamento Operacional Alpha) do 5th SFG-A posam para foto obtida no Vietnã. (Fonte: Disponível em: http://www.onesixthwarriors.com/forum/attention-detail-1-1-talk/45875-there-any-real-african-american-special-forces-guys.html Acesso em: 13 ago. 2016)

A partir da segunda metade da década de 1950, temendo os reflexos dos movimentos insurrecionais de libertação na região sudeste do continente asiático, muitos dos quais eram motivados pela crescente influência soviética, o governo norte-americano decidiu enviar homens do 77th SFG-A para operar em diferentes países da Ásia. Nesse período seria ativado na cidade japonesa de Okinawa o 1st SFG-A.
Foi durante o governo do presidente John Fitzgerald Kennedy (1961-1963) que as FEsp norte-americanas sofreram grande incremento. Em 1961, em uma visita oficial a Fort Bragg, Kennedy mostrou-se positivamente impressionado com as capacidades na condução da modalidade de guerra não convencional demonstradas pelo 7th SFG-A. Convicto de que àquela modalidade de enfrentamento era a mais adequada para o tipo de guerra que se configurava no cenário internacional, o presidente determinou a expansão das Forças Especiais. A iniciativa presidencial deu origem ao 5th SFG-A (1961), 3th, 6th e 8th SFG-A (1963). A visita do presidente Kennedy acabou por formalizar o uso da simbólica “boina verde”, usada até então pelos quadros operacionais das FEsp de forma não-oficial.
Instituídas em 1959 inicialmente como tropas inativas (reserva) do Exército e da Guarda Nacional (força militar de reserva estacionada em todos os estados do país sob comando dos respectivos governadores) pequenas unidades de FEsp sofreram uma expansão em 1961 por ocasião da decisão presidencial, passando a formar o 2nd; 9th, 11th, 12th, 13th, 17th e 24th SFG-A da reserva do Exército, além do 16th, 19th, 20th e 21st SFG-A da reserva da Guarda Nacional. Posteriormente (1966), esses grupos acabariam se fundindo para formar o 11th e 12th SFG-A da reserva do Exército, além do 19th e 20th SFG-A da Guarda Nacional.