sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A Investida do Tubarão: Síntese Histórica dos Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil (Parte 1)

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Fotografia 1: Equipe de Mergulhadores de Combate (EqMEC) executam simulação de infiltração marítima embarcados em um bote pneumático. (Fonte: Acervo do GRUMEC).

Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, Brasil e EUA estreitaram relações assinando um tratado de cooperação político-militar permitindo, entre outros fatores, que os norte-americanos utilizassem bases navais no litoral brasileiro (Natal, Recife e Salvador) com o objetivo de prover a defesa do Atlântico Sul e oferecer auxílio aéreo para as tropas aliadas que combatiam no Norte da África, Europa e Extremo Oriente. O alinhamento entre as duas nações projetou o Brasil como o mais importante aliado ibero-americano dos EUA, rendendo ao país a concessão de um fundo financeiro (Lend-Lease) para que as FFAA brasileiras adquirissem armamentos de origem norte-americana.
A aliança entre Brasil e EUA sujeitou o Poder Naval brasileiro à influência tática e doutrinária da estratégia marítima norte-americana, criando um vínculo que se estendeu ao longo da Guerra Fria. A atividade em questão foi introduzida na MB a partir desse vínculo, quando, em 1964, quatro marinheiros brasileiros (Capitão-de Corveta Carlos Eduardo do Amaral Serra, Capitão-Tenente Antônio Eduardo Souza Trindade, Primeiro-Sargento José Cavalcante Braga da Silva e Terceiro-Sargento Alberi Lazzari Sobrinho) graduaram-se na Classe-31 do UDT (Underwater Demolition Team Course) ministrado pela Escola Naval Anfíbia localizada na Base Naval Anfíbia de Little Creek, no estado norte-americano da Virginia.


Fotografia 2: Mergulhadores escafandristas (EK), componentes de um grupo de doze militares da Marinha do Brasil (MB), enviados aos EUA em 1964 para participar do exigente UDT Course, que teve apenas quatro brasileiros concluintes. (Fonte: Acervo do GRUMEC). 

Retornando ao Brasil em julho de 1964, os quatro egressos da Classe-31 do UDT Course começaram a trabalhar no intuito de disseminar os conhecimentos adquiridos no exterior na tentativa de promover e introduzir a atividade do Mergulho de Combate como uma alternativa viável para a MB. Assim, os MECs formados nos EUA passaram a atuar internamente em operações de apoio aos exercícios de desembarque da Esquadra. No exterior, os MECs compuseram a Unidade de Demolição Tática quando da realização das Operações DRAGÃO e UNITAS, que reúnem diferentes Marinhas nacionais em simulações visando o adestramento das Forças Anfíbias (FAnf).
No início da década de 1970, face às novas conjunturas impostas pela guerra irregular conduzida, sobretudo, no sudeste asiático, manifestas gradativa e esporadicamente em vários conflitos assimétricos travados nas primeiras duas décadas da Guerra Fria, a MB, procurando adequar-se às variantes da guerra não convencional, tomou a iniciativa de criar a Divisão de Mergulhadores de Combate (DivMEC).
Subordinada à Força de Submarinos (ForS) e localizada nas dependências da Base Almirante Castro e Silva (BACS), a DivMEC iniciou suas atividades em uma época na qual o Brasil gozava de relativa estabilidade econômica enquanto enfrentava o período mais rígido do regime militar. 
Ainda nos primeiros anos da década de 1970, enquanto se deparavam com a difícil tarefa de elaborar uma doutrina operacional focada na atuação dos MECs em Operações Anfíbias (OpAnf) e no ataque submerso a embarcações, a recém criada DivMEC foi encarregada de realizar o levantamento hidrográfico da costa brasileira a fim de identificar possíveis áreas aptas a comportar um eventual desembarque anfíbio.
No final de 1972, o Capitão-de-Corveta Carlos Eduardo do Amaral Serra, o Capitão-Tenente Theotônio Chagas Toscano de Britto, o Primeiro-Sargento José Cavalcante Braga da Silva, o Segundo-Sargento Ozino Brasilino da Silva, além do Terceiro-Sargento Severino Fernandes Filho, foram enviados para a cidade francesa de Saint-Mandrier (região de Toulon) com o objetivo de participar do 42º Cours de Nageur de Combat (CNC [Curso de Nadadores de Combate]) da Marinha da França no início do ano seguinte.
Após 27 semanas de treinamentos e avaliações que colocaram os conhecimentos adquiridos à prova, os candidatos remanescentes, incluindo os cinco brasileiros, foram devidamente agraciados com seus respectivos brevês.


Fotografia 3: Alunos do 42º Cours de Nageur de Combat (CNC {Curso de Nadadores de Combate]), incluindo militares brasileiros, participam de instrução durante a primeira fase do curso ministrado pela Marinha da França em 1973. (Fonte: Acervo CF [Ref.] Theotônio Chagas Toscano de Britto).

Aproveitando sua estada no continente europeu após concluírem o CNC, os MECs brasileiros auxiliaram a Comissão Naval Brasileira na Europa (CNBE) provendo suporte técnico necessário para o processo de aquisição de equipamentos utilizados nas atividades de mergulho. Esses equipamentos, imprescindíveis para a implementação do MEC no país, seriam disponibilizados para o Centro de Instrução e Adestramento de Submarinos e Mergulho (CIASM), estabelecimento de ensino da MB renomeado em 22 de maio de 1978 como Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA).  
Após retornarem ao Brasil, os MECs que haviam estado na França juntaram-se a um oficial e um praça que haviam participado, respectivamente, dos cursos UDT e Explosive Ordnance Disposal (EOD [Desativação de Artefato Explosivo]) nos EUA, colocando suas habilidades a serviço da Esquadra no intuito de desenvolver uma doutrina operacional que adaptava o melhor das filosofias norte-americana (focada principalmente nos procedimentos de guerra ribeirinha) e francesa (que enfatizava as ações de mergulho) às necessidades da MB. A elaboração de uma doutrina nacional de MEC possibilitou a criação do primeiro curso nacional de formação de MECs ministrado pelo CIASM em 1974.


Fotografia 4: Instrutores e alunos da primeira turma de MECs formada em 1974 pelo Centro de Instrução e Adestramento de Submarinos e Mergulho (CIASM) da Marinha do Brasil (MB). (Fonte: Acervo do GRUMEC).

Coube à DivMEC à tarefa de exercitar e aprimorar sua doutrina operacional, atuando com o objetivo de atender à crescente demanda de solicitações oriundas da Esquadra e dos respectivos Distritos Navais (DN), mesmo limitada pelas restrições que lhe eram impostas pela grave crise econômica que comprometia o desenvolvimento nacional. Em 1975, por ocasião da Operação VERITAS VIII, levada a cabo na região de Roosevelt Roads (Estação Naval da Marinha dos EUA situada na cidade de Ceiba em Cuba), a DivMEC teve destacado desempenho participando de exercícios militares em conjunto com o SEAL Team 2. 
Os efeitos da conjuntura mundial da década de 1980 para a DivMEC representou o desafio de desenvolver uma doutrina que fosse adequada para enfrentar as ações terroristas, que eventualmente, poderiam colocar a soberania dos Estados em situação de risco. Em resposta a essa nova categoria de ameaça, os MECs brasileiros foram encarregados de instituir procedimentos contra ações de elementos adversos em ambiente marítimo, provendo a fiscalização e segurança das Águas Jurisdicionais Brasileiras, bem como assegurando a proteção de embarcações, terminais portuários e plataformas de exploração de gás e petróleo. Foi a partir da elaboração dessa nova doutrina operacional que surgiram os conceitos que dariam origem aos Destacamentos de Abordagem (DA), que operam em qualquer situação de abordagem de navios, podendo oferecer apouo aos Grupos de Visita e Inspeção/Guarnição de Presa (GVI/GP), bem como ao Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR/MEC), unidade especializada em operações antisequestro e contraterrorista realizadas em ambiente marítimo.

Continua...


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Informativo FOpEsp, nº 14

Chamada de Estreia do Canal FOpEsp no You Tube

Figura 1: Banner de estreia do Canal FOpEsp no You Tube. (Fonte: Acervo FOpesp).

Comunicamos a todos os nossos leitores e seguidores, que no decorrer da segunda quinzena do mês de fevereiro estaremos inaugurando no You Tube nosso canal para o compartilhamento de conteúdos de vídeo relacionado ao universo das unidades militares e policiais de elite. Desenvolvido como uma extensão deste Blog, o canal tem os mesmos propósitos dos posts aqui publicados, ou seja, valorizar e promover as Operações Especiais. Convidamos a todos que já nos prestigiam, bem como àqueles que passam a nos conhecer a partir de agora, a conhecer nossos espaços, inscrevendo-se no canal, curtindo nossos artigos e vídeos, para juntos disseminarmos em nossa sociedade uma cultura que reconhece e enaltece a atividade OpEsp brasileira. Agradecemos por tê-los conosco!



QUI AUDET ADIPISCITUR




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte Final)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).

Fotografia 6: Equipe de Caçadores de Operações Especiais do DRC em posição realizando monitoramento de alvo em ambiente rural (Fonte: Acervo do COpEsp).

Quanto ao emprego tático das Equipes de Caçadores de Operações Especiais, o Comando de Operações Especiais (COpEsp) se vale da preciosa peculiaridade das Forças de Operações Especiais brasileiras, a capacidade híbrida de conhecimento das tropas de Comandos e Forças Especiais, proporcionando ação direta juntamente com inteligência operacional refinada. Essa possibilidade é a principal vertente de emprego dos Caçadores de Operações Especiais, de tal sorte que o COpEsp, atualmente, é referência nacional de planejamento e emprego de Caçadores em Operações de Contraterrorismo, de Reconhecimento Especial e de Combate Urbano. A contribuição das Equipes de Caçadores de Operações Especiais para superioridade da informação, engajamento preciso e proteção da dimensão total de uma área específica, pode ocorrer durante uma resposta à uma crise ou para evitá-la, devido à grande rapidez e mobilidade estratégica do COpEsp e sobretudo, ao planejamento concorrente, atualizado e constante preparo do Destacamento de Reconhecimento de Caçadores (DRC) e 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais (5º DOFEsp).
A formação do Caçador de Operações Especiais é atribuição do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOpEsp), OM subordinada ao COpEsp. O CIOpEsp é o único Estabelecimento de Ensino no Brasil formador dos Caçadores de Operações Especiais, matriculando anualmente alunos das Forças Armadas e dos Órgãos de Segurança Pública. Todos, obrigatoriamente, com as habilidades de Operadores Especiais. O curso ministrado no CIOpEsp difere de outros cursos de Caçador no Brasil justamente pelo caráter peculiar das Operações Especiais. Com duração de 7 semanas, a atividade de ensino possui um rigorosíssimo teste de entrada e seu plano disciplinar abrange desde matérias específicas da técnica de tiro do Caçador até o planejamento de Operações de Ação Direta seletiva e de Contraterror, capacitando caçadores e controladores. O ambiente das instruções favorece a perfeita formação técnica do Caçador, para que nas fases de emprego tático o aluno possua uma vasta gama de conhecimento para ser utilizada como ferramentas para o cumprimento da missão e com alta flexibilidade, característica das Operações Especiais. A atualização pedagógica e doutrinária dos instrutores é constante e baseada em intercâmbios, cursos realizados em outros países e, sobretudo, das experiências colhidas no Brasil.


Fotografia 7: Caçadores de Operações Especiais em Operação no Complexo da Maré empregando o Fuzil de Precisão de Ação Manual modelo PGM Ultima Ratio calibre .308 e Fuzil de Precisão Semi-Automático modelo M-110 calibre .308.(Fonte: Acervo do COpEsp).

Com o passar do tempo verificou-se que na maior parte das operações desempenhadas, fez-se necessário o emprego de mais de uma Equipe de Caçadores em uma mesma Área de Operações. Surgiu então a necessidade de um elemento de coordenação dessas equipes, o Controlador. Esse militar, que deve ser conhecedor das diversas peculiaridades e, principalmente, do emprego tático do Caçador, tem como principal atribuição estabelecer a ligação entre as equipes dispostas no terreno e o escalão superior, assim como aos demais elementos operacionais presentes. Além disso, é o Controlador das Equipes de Caçadores de Operações Especiais quem assessora quanto ao preparo e emprego atinentes a esses elementos. No COpEsp, os controladores, via de regra, são os oficiais comandantes do DRC e do 5º DOFEsp. Eles compões uma célula de comando e controle, capaz de realizar as ligações operacionais e logísticas necessárias entre as equipes em posição, bem como com o escalão superior e contribuir significativamente no esforço de obtenção e produção de conhecimento em tempo real.
Modernos sistemas de coordenação e controle de Caçadores são empregados pelos controladores das equipes de Caçadores com a finalidade de garantir a identificação positiva da ameaça por parte do Gabinete de Crise e uma sinalização correta para a neutralização da ameaça, proporcionando a esse coordenador a visualização dos cenários observados por todas equipes empregadas. A utilização de equipamentos de comunicações de alta tecnologia digital agregada permite que as Equipes possam reportar com precisão e em tempo real diversas informações que conferem não só ao Escalão Superior mas principalmente aos demais elementos operacionais desdobrados no terreno uma ampla consciência situacional e segurança para as ações.



Por todos esses aspectos pode-se observar que o emprego das Equipes de Caçadores de Operações Especiais é extremamente relevante no cenário atual em que as Forças de Defesa e Segurança do Brasil estão envolvidas e que ainda estão por vir. Propiciar a melhor consciência situacional ao Escalão Superior, evitar a ocorrência de uma crise proporcionando segurança para outros destacamentos e, se for necessário, atuar de maneira incisiva para a proteção da vida de outrem, seja ele combatente ou não, passaram a ser tarefas primordiais das Equipes de Caçadores de Operações Especiais do DRC e 5º DOFEsp. Para tanto é necessário um adestramento tão peculiar e detalhado quanto o preciosismo característico de um Caçador, de tal sorte que o emprego tático de uma fração de efetivo tão reduzido, mas com amplas habilidades, possa evitar drásticas consequências estratégicas. Assim sendo, o Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro, por meio do Destacamento de Reconhecimento e Caçadores e do 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais, se nivela com consagradas tropas congêneres internacionais, devido ao fato de possuir frações específicas, que interagem livre de personalismos e vaidades, responsáveis por desenvolver e executar a doutrina dos Caçadores de Operações Especiais no seio do Exército Brasileiro e, complementar sobremaneira o escopo das missões atribuídas ao Comando de Operações Especiais mantendo como foco os ideais dos Comandos e Forças Especiais do Brasil. 

* O capitão HB é oficial do Exército Brasileiro, possui Curso de Caçador de Operações Especiais e de diversos outros cursos e estágios na habilitação do tiro de precisão de longa distância. Foi instrutor do Curso de Caçador de Operações Especiais e integrante do DRC durante a metade  da sua vida profissional após sua formação acadêmica. Executou todas as funções possíveis para um oficial Comandos e Forças Especiais com habilitação de Caçador de Operações Especiais. Teve oportunidade participar de diversas missões de vulto no Brasil e no Haiti, todas elas integrando EqpCçdOpEsp.




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 2)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).


Fotografia 4: Caçador de Operações Especiais realizando sobrevoo na Aeronave HA-1 (Esquilo) da Aviação do Exército Brasileiro. (Fonte: Acervo COpEsp).

O momento atual em que o Brasil é escolhido para sediar diversos eventos de vulto internacional, particularmente desde 2007, sediando os Jogos Pan-Americanos, pelos V Jogos Mundiais Militares, Rio+20, Copa das Confederações 2013, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo da FIFA 2014 e Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, exige um intenso e detalhado preparo das Forças de Operações Especiais para se anteverem às ameaças terroristas contemporâneas. Outrossim o recrudescimento da violência urbana no Brasil, fazendo da sociedade refém de organizações criminosas muito bem estruturadas, dotadas de eficiente comando e controle e que com ações de violência extremista nos grandes centros do país, constitui um chamamento à comunidade brasileira de Operações Especiais para o desenvolvimento de ações efetivas e enérgicas, pautadas pela eficiência, eficácia, legalidade e acima de tudo legitimidade por parte do povo brasileiro.
O Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro (EB) tem sido amplamente empregado pela Força Terrestre, atuando de maneira proativa e reativa em diversos cenários do território nacional, seja nas ações de contraterrorismo, seja nas ações de reconhecimento especial atuando de maneira intensiva nas fronteiras inóspitas do país, seja nas ações de apoio aos órgãos governamentais para debelar os altos índices de violência em locais especificamente conflagrados. Em todos os casos citados o emprego das Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) se torna relevante e preponderante para o sucesso e para obtenção da superioridade relativa, tão necessária para as ações das Forças de Operações Especiais.
Dentro desse contexto, o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC) e o 5º DOFEsp utilizam as mais diversas táticas, técnicas e procedimentos de Caçadores de Operações Especiais para consecução dos objetivos do Comando de Operações Especiais. Para tanto, o adestramento, similar e por vezes realizado de maneira conjunta entre os dois destacamentos, é composto de uma vasta gama de conhecimentos, passando pelas operações de reconhecimento especial até peculiaridades do estudo da meteorologia e balística aérea. Por se tratar de uma tropa especialmente adestrada para dupla capacidade (produção de informação e tiro seletivo), as frações de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp se preparam anualmente por meio de um plano de capacitação específico. A célula de operações do batalhão juntamente com a célula de inteligência e assessoradas pelos comandantes de Destacamento, conduzem esse planejamento baseando-se nas atualizações do cenário mundial, nas possíveis e prováveis hipóteses de emprego e das análises das ameaças.


Fotografia 5: Equipe de Caçadores de Operações Especiais do 5º DOFEsp realizando Ação Direta Seletiva em apoio à Força-Tarefa de Operações Especiais durante Operação no Complexo da Maré. (Fonte: Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/08/policiamento-e-reforcado-e-acesso-de-favela-e-bloqueado-na-mare.html Acesso em: 12 jan. 2017). 

O adestramento desses dois destacamentos muito peculiares tem sido atualizado e revisado constantemente de acordo com as exigências e mutações dos cenários de crise, sendo cada dia mais aparente a utilidade das EqpCçdOpEsp e a importância da necessidade de flexibilidade no seu emprego. As lições aprendidas não se encontram somente nos relatórios pós-ação de adestramentos, elas se originam principalmente dos relatórios pós-ação do pessoal ativamente envolvido. Não raro os Caçadores de Operações Especiais constituem maciçamente esse efetivo, pois são empregados a partir da preparação da Área de Operações, realizando desde o monitoramento de alvos estratégicos até o adestramento das Forças de Segurança Pública local. De maneira geral, a capacitação se divide em Emprego do Caçador e Operações de Reconhecimento Especial. No tocante ao tiro de precisão, diversas Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) são praticadas, e ainda assim, algumas são desenvolvidas para a realidade vivida no cenário nacional. Conhecimentos de balística de diversos armamentos e munições e balística terminal, recarga de munição, tiro em posições alternativas, tiro em movimento e em alvos móveis, tiro embarcado em aeronaves de asa rotativa, capacidade multicalibre das Equipes, capacidade de engajamento de alvos em distâncias superiores a 1500 m, tiro através buraco, tiro noturno empregando diferentes meios optrônicos e condições de iluminação, tiro antimaterial, técnicas de tiro rápido e de compensação de pontaria, tiro através vidro, fotografia profissional, técnicas de observação, memorização e descrição de alvos, uso diferenciado da força, aspectos legais ao emprego do caçador, entre outros proficiências já consagradas mundo afora, conferem ao DRC possibilidades ímpares que o caracterizam como uma tropa essencial antes, durante e depois do emprego dos elementos operativos da Força Terrestre.


Continua...


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Quem São e o Que Fazem os Caçadores de Operações Especiais do Exército Brasileiro? (Parte 1)

Texto elaborado pelo Capitão HB* (pseudônimo).


Fotografia 1: Caçador do Exército Brasileiro (EB) engajado em operação conduzida no Complexo de Favelas do Alemão, localizado na cidade do Rio de Janeiro-RJ. (Fonte: Acervo do COpEsp).

A Brigada de Operações Especiais (BdaOpEsp) do Exército Brasileiro foi criada em 2002 de acordo com o Plano de Reestruturação da Força Terrestre. Posteriormente, em 2013, a BdaOpEsp veio a transformar-se no Comando de Operações Especiais (COpEsp), sediado em Goiânia-GO. O COpEsp possui em sua estrutura 03 Organizações Militares (OM) de emprego, o 1º Batalhão de Forças Especiais (1º BFEsp), o 1º Batalhão de Ações de Comandos (1º BAC), ambos localizados na sede do COpEsp, e a 3ª Companhia de Forças Especiais (3ª Cia FEsp), localizada em Manaus-AM. Cada uma de suas OM operacionais possuem frações básicas de emprego extremamente peculiares, os Destacamentos Operacionais de Forças Especiais (DOFEsp) nas OM FEsp e os Destacamentos de Ações de Comandos (DAC) no 1º BAC. Essas OM possuem um preparo específico, muito embora, em alguns casos, o emprego conjunto, formando os Destacamentos de Operações Especiais (DOE), tem se mostrado eficaz.
Até então, a atividade de caçador era exercida de maneira individual e pontual dentro dos DOFEsp ou DAC por aqueles que apresentavam certa aptidão para o tiro esportivo de arma longa ou que tinha experiência de caça em sua vida pregressa. A doutrina do emprego do Caçador, sobretudo o de Operações Especiais, ainda formava seu alicerce para ganhar o destaque dos dias atuais. Dessa forma, verificou-se a necessidade das OM do COpEsp ter em seu organograma um fração híbrida capaz de apoiar as ações diretas através do reconhecimento especial e do tiro seletivo a longa distância.
Neste ínterim surgiu o Destacamento de Reconhecimento e Caçadores (DRC), fração com adestramento peculiar que visa obter e transmitir informações necessárias ao apoio às ações do 1º BAC e realizar ação direta seletiva com tiro de precisão. O DRC constituiu-se efetivamente a partir de meados de 2007, em que pese estar previsto no Quadro de Cargos Previstos (QCP) do 1° BAC desde 2004, quando o batalhão foi criado. À reboque da criação do DRC, surgiu o 5º Destacamento Operacional de Forças Especiais (5º DOFEsp), fração do 1º BFEsp vocacionada para as ações de Reconhecimento Especial e tiro seletivo de longa distância, sobretudo no combate urbano. Os militares mais experientes nas ações de comandos e operações de forças especiais foram selecionados para comporem os Destacamentos, cada um à sua OM. Os integrantes desses destacamentos são altamente adestrados, preparados e maduros. São dotados de excelentes habilidades para resolver problemas e agilidade mental para atuar nas mais fluídas situações.


Fotografia 2: Controlador da Equipe de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp) operando Sistema de Comando e Controle. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Como consequência da observação de diversas operações e fruto de experiências internacionais de intercâmbios e cursos, verificou-se que o tradicional efetivo da dupla de caçadores não mais atendia às necessidades operacionais das missões recebidas. Por esse motivo, o DRC e o 5º DOFEsp passaram ter seu organograma constituído por Equipes de Caçadores de Operações Especiais (EqpCçdOpEsp). A composição da EqpCçdOpEsp foi reajustada para quatro elementos: o Caçador, responsável pela realização do tiro de precisão; o Observador, militar mais experiente, responsável pelo auxílio direto ao atirador; o Auxiliar de comunicações, responsável pela transmissão de dados e por operar o diversos meios de comunicação orgânicos da equipe e; o Auxiliar de saúde, responsável pela segurança da posição e por prestar os primeiros socorros aos integrantes da equipe, caso seja necessário. Uma pequena distinção se faz entre as Equipes do DRC e do 5º DOFEsp. Devido ao fato das Equipes de Caçadores (EqpCçd) do DRC atuarem, prioritariamente, em apoio às ações do 1º BAC e de maneira isolada, suas Eqp possuem um Comandante, sendo ele Oficial ou Sargento, de acordo com a demandas específicas da missão, e este obrigatoriamente com o curso de Forças Especiais. Já as equipes do 5º DOFEsp, por possuírem seus caçadores com a formação de Operador de Forças Especiais, essa necessidade relativa às questões específicas às Op FEsp passam a ser supridas, não excluindo a possibilidade de incluir eventualmente um militar para comandar uma EqpCçd OpEsp.


Fotografia 3: Fuzil de Precisão de Ação Manual de dotação do DRC e 5º DOFEsp, modelo MSR, multicalibre .300, .308 e .338. (Fonte: Acervo do COpEsp).

Desde então, o COpEsp emprega suas frações de Caçadores de Operações Especiais para proporcionar informação específica, precisa, detalhada e em tempo real, de importância estratégica ou operacional, em apoio a outros Destacamentos, a uma Força-Tarefa de Operações de Especiais como um todo ou, ainda, para escalões no processo decisório no nível operacional. Destaca-se o emprego maciço das Equipes de Caçadores de Operações Especiais do COpEsp como plataforma de informação nas Operações de Contraterrorismo (grandes eventos e segurança de dignitários), de apoio às ações diretas integrando o Destacamento de Operações de Paz (DOPaz) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e nas recentes Operações de Apoio aos Órgãos Governamentais (OAOG) na cidade do Rio de Janeiro em comunidades com alto nível de insegurança e risco político para as ações.

Continua...


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Operações Especiais e a Essência do “Ser”

Texto elaborado pelo 1º Tenente Laio GIORDANNI Evangelista Melo*.

Fotografia 1: Quadros operacionais do Grupamento de Ações Táticas (GATE) da Polícia Militar da Paraíba (PMPB) participam de Intervenção tática em estabelecimento prisional situado no município de Campina Grande. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

Na atualidade, em pleno século XXI, as Operações Especiais (OpEsp) tomam cursos de formação cada vez mais importantes e dinâmicos, devido, principalmente, a um conjunto de fatores: ao ser humano extremamente mutável e violento; a um espaço físico cada vez mais disputado e globalizado; às politicas de governo vigentes. Logo, as OpEsp que já existiam desde a Antiguidade, tornam-se cada vez mais comuns e necessárias, produzindo operações valorosas e conhecidas tanto em cenários civis, quanto militares.
São inúmeros os exemplos das operações que refletem o valor, a perícia e a importância dos seus feitos, entre as quais citaremos apenas alguns breves e conhecidos exemplos: Operação Thunderbolt Entebbe (retomada de aeronave em Uganda, 1976); Operação Nimrod (retomada de reféns mantidos em cativeiro na Embaixada Iraniana em Londres, 1980); Operação Red Wing, (combate entre guerrilheiros afegãos e uma patrulha de Reconhecimento dos SEALs da Marinha norte-americana, 2005), Operação de ocupação do Complexo de Favelas do Alemão visando a captura de traficantes no Rio de Janeiro, 2010); Operação Neptune Spear objetivando a eliminação de Osama Bin Laden, 2001); entre diversas outras.
Desta feita, as OpEsp, bem como seus operadores, são comumente alvos de inspiração e suas façanhas os tornam heróis reais. Contudo, tais ações e feitos possuem diversas consequências a serem estudadas, e neste momento buscaremos analisá-las por uma perspectiva específica: a essência do que de fato venha a ser o “sentir” as OpEsp, e o que isso representa, sobretudo, para os operadores que as executam.
O fato das OpEsp estarem na “moda” – como é possível notar em filmes, livros, jornais, revistas, vídeos, documentários, seriados, etc; bem como a admiração demonstrada por jovens que buscam nas OpEsp acrescentar ação e aventura em suas carreiras militares e/ou policiais; ou ainda o entusiasmo manifestado por leigos, simpatizantes dos princípios, doutrinas, equipamentos, armamentos, vestimentas, comportamentos, técnicas e táticas peculiares às OpEsp – , não deve incidir em uma percepção superficial da atividade, de maneira a permitir que tais ações sejam vistas e absorvidas apenas para alimentar propósitos momentâneos e individualistas que possibilitam ao operador desenvolver um comportamento e conduta inapropriados com a natureza das OpEsp, tais como: egocentrismo, narcisismo, vaidade, onipotência, onisciência, onipresença, esquecimento dos princípios éticos e morais basilares das OpEsp.


Fotografia 2: Equipe do GATE da PMPB tomam parte em uma ocorrência envolvendo o resgate de reféns em uma agência dos Correios localizada na capital João Pessoa. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

O homem de OpEsp é importante e valoroso, não apenas pelo que ele pode e é capacitado a fazer, mas também pelo que ele representa, pelo que ele inspira. Deve ser repleto de humildade, patriotismo, compromisso, motivação, força, perseverança e liderança. E é importante frisar que liderar não é a mesma coisa que chefiar. Homens de OpEsp devem ser liderados, jamais chefiados! O homem de OpEsp deve ser sempre uma referência, um exemplo para outras pessoas e, ainda mais, para os demais operadores (os quais podem ainda não ser tão capacitados e preparados quanto ele).
O homem de OpEsp representa um passado de feitos históricos e heroicos, representa homens que viveram e morreram por servir a ideais e propósitos maiores do que eles. Ostentar uma manicaca (patche de braço) e/ou um brevê de OpEsp e saber que você se comprometeu a fazer o mesmo diuturnamente, representa um futuro de expectativas, de esperança e evolução na defesa dos “oprimidos, indefesos e escravizados”.
O “ser” OpEsp é muito mais que tirar fotos de braço cruzados (talvez, denotando estar fechado) e ou olhando por cima (talvez, denotando soberba e arrogância), é muito mais do que ostentar uma caveira, um tridente, uma águia ou uma adaga num uniforme diferenciado, é muito mais do que ter acesso a conhecimentos e informações sigilosas/confidenciais, é muito mais do que participar de operações extremamente complexas, valorosas e perigosas. O “ser” OpEsp é saber o valor de tudo isso em essência, é viver constantemente seus princípios, é proporcionar a manutenção e a evolução da doutrina, é estar disposto a se sacrificar (em todos os sentidos) pela sua nação, é operar com o coração (não com o bolso), é instruir e esclarecer o leigo, é, também, como salientado por Eric L. Haney (autor do livro “Força Delta: por dentro da tropa antiterrorista americana”):


Operações Especiais são como ferro em brasa que marca a alma, e depois, faz com que vejamos o mundo para sempre por meio de um conjunto singular de filtros mentais. Quanto mais profunda e intensa é a experiência, mais quente é o metal e mais profunda a marca do indivíduo.

Ser OpEsp... é ouvir, chorar, e sorrir ao lado de seu "irmão Comandos". 

Figura 1: Insígnia do Grupamento de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar da Paraíba. (Fonte: Acervo do GATE da PMPB).

* O 1º Tenente GIORDANNI pertence ao Quadro de Oficiais Combatentes da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), ingressou nas fileiras em fevereiro de 2006 e em 2008 formou-se bacharel em Segurança Pública pela Academia Militar do Cabo Branco – PB. Logo em seguida exerceu atividade de oficial de operações na Tropa de Choque da PMPB até o ano de 2011, no início de 2012 concluiu o Curso de Ações Táticas Especiais daquela força integrando o Grupamento de Ações Táticas Especiais da PMPB até os dias atuais. Em 2015 concluiu o Curso de Operações Especiais na PMMG. Exerce atualmente a função de Comandante da Equipe de Atiradores Policiais de Precisão desta tropa especial. Concluiu, ainda, diversos cursos operacionais na área de segurança.




sábado, 17 de dezembro de 2016

Informativo FOpEsp, nº 13

Publicação de Artigo

Fotografia 1: Operadores da Companhia de Mergulhadores de Combate (Kampfschwimmerkompanie) da Marinha alemã (Deutsche Marine) lançados a partir de uma plataforma submarina classe U212 navegando em profundidade de cota periscópica. (Disponível em: https://sofrep.com/48683/watch-seal-delivery-vehicle-team-strike/Acesso em: 16 dez. 2016). 

Informo a todos os seguidores do blog FOpEsp que a Revista Segurança & Defesa em sua última edição (nº 124, p. 24-29), publicou um artigo de minha autoria com o título:


"Infiltração/Exfiltração Submarina de FOpEsp"


O texto aborda o suporte ofertado por plataformas submarinas considerando os diferentes procedimentos de lançamento/recolhimento de Elementos de Operações Especiais (ElmOpEsp) realizados no intuito de infiltrar/exfiltrar Mergulhadores de Combate (MECs) na Área de Operação (AO).


Fotografia 2: Capa da edição nº 124 da Revista Segurança & Defesa, apresentando artigo alusivo aos procedimentos de Infiltração/Exfiltração Submarina de Forças de Operações Especiais. (Foto: Acervo da Revista Segurança & Defesa).


Mensagem de Final de Ano


Com o objetivo de disseminar uma cultura de valorização das Forças Singulares (Exército, Marinha e Força Aérea) e Forças Auxiliares (Polícias Federal, Militar e Civil), especificamente no âmbito das Operações Especiais, o blog FOpEsp (Forças de Operações Especiais) buscou difundir conhecimentos distintos nas diferentes postagens que apresentou ao longo de 2016 (ano de nossa gênese). Agradecemos a todos os nossos seguidores pelo apoio demonstrado no decorrer desse período, suporte imprescindível que nos motiva a alçar novos voos no ciclo que se inicia com o próximo ano. Aproveitamos a oportunidade para informar-lhes que deixaremos de publicar novas postagens no transcorrer das próximas duas semanas por ocasião das festas de Natal e Ano Novo, retornando às atividades normais a partir da segunda semana de janeiro de 2017. Com a certeza que estaremos juntos novamente... QUEM OUSA VENCE!!!