segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ação de Comandos: Proposta para Adequação do Lema

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

No imaginário popular, em grande parte construído por influência da literatura e do cinema, as OpEsp são tratadas, equivocadamente, como sendo um sinônimo da denominada “Ação de Comandos”, internacionalmente conhecida pelo termo “Direct Action” (Ação Direta). Embora seja um componente importante das OpEsp, a Ação de Comandos representa um de vários elementos constituintes das operações de natureza não convencional conduzidas valendo-se de métodos e recursos que fogem aos padrões ortodoxos da guerra. Nesse sentido, conforme estabelecido por Pinheiro (2012), são elementos constituintes das OpEsp: Ação de Comandos; Guerra Irregular; Operações contra Forças Irregulares; Reconhecimento Estratégico/Especial; Operações Psicológicas. 
Especificamente em relação à Ação de Comandos, que é o tema central deste texto, podemos definir esse elemento como sendo:
Operações destinadas a conduzir: interdição/destruição de alvos críticos; captura, resgate, evacuação ou neutralização de pessoal/material localizado em território hostil (todos avaliados como objetivo de valor estratégico); Planejadas para serem executadas como uma ação de choque, conduzida de surpresa, com alta intensidade e curta duração [...] (PINHEIRO, 2012, p. 35). 

Fotografia 1: Quadros operacionais do 1º BAC dispostos durante cerimônia de formatura. (Fonte: Disponível em: http://www.1bac.eb.mil.br/index.php/2013-10-27-00-11-04 Acesso em: 28 mai. 2016).

No Brasil, particularmente no âmbito da Força Terrestre, a Ação de Comandos remete ao lema que sempre norteou as FOpEsp do Exército Brasileiro, a saber: "O máximo de confusão, morte e destruição na retaguarda profunda do inimigo."
Historicamente, desde os primeiros cursos de Ação de Comandos ministrados na antiga sede do 1º BFEsp (1º Batalhão de Forças Especiais), localizada na Estrada do Camboatá no Rio de Janeiro-RJ, os alunos liam o referido lema nas paredes do prédio que abrigava a CAC (Companhia de Ação de Comandos). Para efeito de esclarecimento, destacamos que na data de sua criação (1983), o 1º BFEsp dispunha de uma CAC em sua estrutura organizacional. Atualmente, tanto o 1º BFEsp quanto o 1º BAC (1º Batalhão de Ação de Comandos [elevado da categoria de subunidade à nível de unidade em 2003]) encontram-se subordinados ao COpEsp (Comando de Operações Especiais) situado na cidade de Goiânia-GO.
Com o advento da “guerra no meio do povo” (Guerra Urbana), as batalhas travadas no ambiente informacional e alguns conceitos como o do “Uso Diferenciado da Força” (conforme estabelecido pela portaria 4226 emitida pelo Ministério da Justiça [define diretrizes sobre o uso de força pelos agentes de segurança pública]), tornam temerário o emprego da força desproporcional, cujo contexto encontra-se implícito no tradicional lema da Ação de Comandos.
A eliminação indiscriminada de oponentes passou a representar um sério risco de ocorrerem efeitos colaterais indesejáveis, que embora possam proporcionar vitórias táticas significativas, em questão de minutos podem ganhar vulto internacional, ocasionando turbulências jurídicas e informacionais que fatalmente levarão à derrota no mais alto nível da conduta do enfrentamento.


Figura 1: Escudo representativo da modalidade Ação de Comandos do Exército Brasileiro. (Fonte: Disponível em: http://www.policiarcc.com/t10583p110-area-de-relacionamento-livro-13 Acesso em: 28 mai. 2016).

A determinação diferenciada inerente aos ElmOpEsp é inegável, assim como é inquestionável sua capacidade de sobrepujar adversários de maior efetivo. Devido ao treinamento sistemático, as tropas especiais se tornaram a alternativa mais confiável quando da eventualidade de haver riscos políticos. Quando os decisores (civis e/ou militares) optam por empregar FOpEsp valendo-se de métodos de Ação Direta (quando as tropas travam contato direto com a força inimiga), eles não só têm a certeza da missão cumprida como esperam que o ambiente operacional seja minimamente afetado. Nesse contexto, a precisão operacional representa um dos maiores desafios na condução de uma OpEsp.
No cenário internacional contemporâneo, os Estados buscam formar um perfil de operador que seja disciplinado e juridicamente instruído, qualidades fundamentais que proporcionam maior segurança, confiança e liberdade de ação para os decisores. A missão não é mais “cumprida a qualquer custo” e sim cumprida da melhor forma possível. Assim sendo, por considerarmos que o tradicional lema da Ação de Comandos, tão adequado para épocas passadas (quando a confronto ocorria em áreas distantes das concentrações populacionais), mostra-se defasado em relação ao ambiente operacional urbano, acreditamos ser necessário promover uma adaptação que seja compatível com a categoria de combate levada a efeito no espaço tridimensional das cidades. Respeitando o peso (relevância) simbólico do lema tradicional, e cientes de que a natureza da guerra encontra-se em um processo de evolução constante, propomos o seguinte ajuste: "O máximo de precisão, letalidade seletiva e discrição contra alvos de valor significativo."

REFERÊNCIA:

PINHEIRO, Álvaro de Souza. Knowing your Partner: the evolution of Brazilian Special Operations Forces. JSOU Report 12-7. Hurlburt Field, FL: Joint Special Operations University (JSOU), 2012, p. 34-35.




quarta-feira, 25 de maio de 2016

GSG9: Tropa Pioneira na Implementação de Operações Especiais Policiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

No cenário internacional contemporâneo, as forças de segurança estatais organizam-se no intuito de combater as denominadas “novas ameaças” (crime organizado; tráfico de drogas; tráfico de armas; pirataria; terrorismo; entre outros), que por comprometerem a estabilidade e segurança dos Estados, devem ser confrontadas tanto nas instâncias externas quanto nas instâncias internas de modo a assegurar a Ordem Pública. Atualmente, é comum que as forças policiais disponham de unidades especialmente vocacionadas para enfrentar os expedientes pouco ortodoxos empreendidos por esses agentes adversos. Contudo, na década de 1970 as forças de segurança pública não encontravam-se devidamente preparadas para lidar com ocorrência não convencionais.
Em 1972, a pretexto de evitar uma associação com os Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim (quando o regime nazista promoveu a militarização das cidades alemãs em seu benefício), o comitê olímpico alemão promoveu um relaxamento na segurança dos Jogos Olímpicos de Munique, Alemanha. Essa medida, abriu espaço para que o grupo palestino Setembro Negro (facção da OLP [Organização para a Libertação da Palestina]) orquestrasse um atentado contra 11 integrantes da equipe olímpica de Israel. No rescaldo do episódio que entraria para a história como o “Massacre de Munique”, onze reféns, cinco terroristas e um policial foram vitimados fatalmente.


Fotografia 1: Integrantes do GSG9 desembarcam na Alemanha após realizarem a operação de resgate de reféns em Mogadíscio, Somália. (Fonte: Disponível em: http://canalpiloto.com.br/o-sequestro-lufthansa-181-parte-4/ Acesso em: 23 mai. 2016).

Como consequência desta tragédia, bem como em virtude do evidente despreparo da polícia alemã, o governo da Alemanha Ocidental (denominação mais comum da República Federal da Alemanha entre 1949 e 1990, quando ocorreu a unificação com a República Democrática Alemã [Alemanha Oriental]) optou por criar uma unidade policial vocacionada para combater ações violentas perpetradas por organizações terroristas. Baseando-se no modelo do Sayeret Matkal (principal FOpEsp do Exército israelense), os alemães instituíram o GSG9 (Grenshutzgruppe 9 [Grupo de Defesa de Fronteira 9]) na estrutura organizacional da Bundespolizei (Polícia Federal Alemã). O número nove foi incorporado pela unidade, uma vez que na época de sua criação existiam nove grupos operando à serviço da polícia alemã.
O batismo de fogo do GSG9 ocorreu em outubro de 1977, quando um avião da Lufthansa (voo 181 entre Palma de Maiorca, na Espanha, e Frankfurt, na Alemanha) foi sequestrado por quatro militantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina em apoio às ações do Grupo Baader-Meinhof (organização extremista alemã que se opõe ao governo alemão considerado por seus integrantes como sendo fascista). A operação de resgate, denominada “Feuerzauber” (Fogo Mágico), foi conduzida em Mogadíscio (capital da Somália) após um pouso não autorizado. Os quadros operacionais do GSG9 procederam com o assalto aproximando-se da aeronave em pequenos grupos pelo “ângulo morto” da traseira do Boeing 737-200. A invasão ocorreu dinâmica e simultaneamente pela porta da cabine e por ambas portas situadas sobre as asas, surpreendendo os sequestradores. A ação teve seu desfecho computando três terroristas mortos e um ferido. Todos os passageiros, assim como a tripulação foram devidamente resgatados.

Figura 1: Emblema do GSG9. (Disponível em: http://eisenschmiede-gaming.de/forum2/index.php?thread/160-bewerbung-f%C3%BCr-einen-posten-beim-gsg9/Acesso em: 23 mai. 2016).

Assim como o SAS (Serviço Aéreo Especial) desponta como unidade de referência para as FOpEsp militares, o GSG9 figura como tropa de referência para as FOpEsp policiais. O nível de excelência alcançado pelos quadros operacionais do GSG9 atraiu a atenção até mesmo de unidades militares da comunidade OpEsp. No livro “Rogue Warrior”, escrito em 1992, Richard Marcinko, fundador do SEAL Team 6 (atualmente conhecido como DEVGRU [Grupo de Desenvolvimento de Guerra Especial Naval]), destaca que quando da criação da equipe contraterrorista da Marinha dos EUA, os norte-americanos foram buscar suas referências nas expertises de retomada e resgate do GSG9,  

Fotografia 2: Quadros operacionais do GSG9 realizam treinamento de ações contraterroristas. (Fonte: Disponível em: http://sek-gsg9-ksk.weebly.com/unterschiede.html Acesso em: 23 mai. 2016).

O GSG9 reúne uma diversidade de experiências operacionais no curso de sua história, a se destacar: a prisão de importantes integrantes do Grupo Baader-Meinhof (1982 e 1993); auxílio para o desfecho com sucesso no sequestro do voo da empresa KLM (com rota da Tunísia para Amsterdã, Holanda) redirecionado para Dusseldorf, Alemanhã (1993); prisão de Metin Kaplan, líder islâmico turco conhecido como “Califa de Colônia” (1999); assessoramento às autoridades filipinas envolvendo sequestro de reféns (2000); liberação de turistas alemães retidos no Egito (2001); prisão de terroristas vinculados aos ataques contra o território norte-americano em 11 de setembro (2001 e 2002); segurança de quatro membros da THW {German Technisches Hilfswerk [organização  governamental alemã] em Bagdá, Iraque (2003); segurança de funcionários da embaixada alemã em Bagdá (2004).





segunda-feira, 23 de maio de 2016

SAS Britânico: Unidade Precursora e Referência entre as Forças de Operações Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa.

Para que possam desempenhar as tarefas não convencionais a eles conferidas, os membros da comunidade OpEsp devem apresentar um diversificado rol de características fundamentais para o desempenho de suas atribuições. Fazem parte deste “inventário”: elevada motivação; competência intelectual; velocidade de raciocínio; estabilidade psicológica; criatividade; autonomia; condicionamento físico apurado; domínio das TTP (Táticas, Técnicas e Procedimentos); e sensibilidade ao meio sociocultural no qual operam.
Estes predicados, tão comuns nos ElmOpEsp contemporâneos, representavam uma inovação na primeira metade do século XX, quando grande parcela das nações do mundo envolveram-se nos confrontos decorrentes da II Guerra Mundial (1939-1945). Nesse cenário de enfrentamento global, por iniciativa de Archibald David Stirling, um oficial (Tenente) da Guarda Real Escocesa (Scots Guards) que servia junto aos Commandos (pequenas unidades de infantaria concebidas para promover desembarques em éreas costeiras para destruir alvos inimigos de importância), em 1941 foi criado o SAS (Serviço Aéreo Especial [Special Air Service]), unidade de elite vinculada ao Exército britânico responsável por penetrar as linhas inimigas para executar ações de sabotagem (não convencionais) contra os campos de pouso e as linhas de comunicação que abasteciam as tropas do Eixo que operavam na região norte do continente africano. Apesar de sua denominação de batismo fazer referência a uma eventual capacidade aerotransportada, a disposição para realizar operações aéreas constituiu um engodo para que os alemães acreditassem que havia tropas paraquedistas atuando naquela região da África.

Fotografia 1: Archibald David Stirling ao lado de uma equipe de patrulha do destacamento "L" do SAS em 1942. (Fonte: Disponível em: http://global.britannica.com/topic/Special-Air-Service Acesso em: 21 mai. 2016).
Recrutados da Layforce (unidade que atuava no Oriente Médio e era constituída por integrantes de diferentes tropas de Commandos), os quadros operacionais do SAS organizavam-se em pequenos grupos, tinham grande mobilidade e responsabilizavam-se por executar missões de dois tipos:

  1.  Incursões na retaguarda das linhas inimigas realizando ataques contra alvos selecionados ou de oportunidade.
  2. Atividade de guerrilha estratégica desenvolvida em bases instituídas em território inimigo (com capacidade para recrutar, treinar e coordenar movimentos de resistência nativos).

Para Stirling, cabia aos homens do SAS a seguinte atribuição:

O papel do SAS era diferente do das forças aerotransportadas e do papel dos Commandos, cuja tarefa era apoiar a batalha no aspecto tático. Também era muito diferente daquele do Special Operations Executive, que agia, sobretudo, com forças locais e à paisana. O SAS foi encarregado das tarefas estratégicas, operando quase sempre de uniforme.

Figura 1: Emblema do 22° Regimento SAS. (Fonte: Disponível em: http://militaryinsignia.blogspot.com.br/2011/10/insignia-of-special-air-service-sas.html Acesso em: 21 mai. 2016).
No intuito de esclarecer sua percepção acerca do papel desempenhado pelo SAS, Stirling conferia à unidade um papel estratégico. Para propiciar um juízo apropriado da dimensão estratégica, é essencial estabelecer conceitos que distinguem os quatro níveis de condução da guerra e/ou conflitos (Política: Estratégia; Operacional; Tática). Nesse contexto, é imprescindível esclarecer as particularidades inerentes a cada um dos diferentes níveis de condução do enfrentamento. Assim sendo:

PolíticaEncarregada da coordenação dos diferentes ramos da condução da guerra ou conflitos.
Estratégia – Coordenação de todos os meios militares para alcançar o propósito militar da guerra/conflito, conforme objetivo perseguido pela política.
Operacional – Tem por objetivo buscar a derrota das forças inimigas pelo movimento, colocando-as em uma situação extrema e desfavorável, desorganizando e/ou enfraquecendo sua capacidade de resposta.
Tática – Estabelece a derrota das forças inimigas mediante aniquilação física de suas tropas e/ou destruição da sua coesão orgânica ou moral.

Apesar do intervalo de mais de 70 anos e das constantes mudanças ocorridas em virtude da particularidade e evolução dos enfrentamentos, o conceito estabelecido na década de 1940 permanece atual. O nível de excelência que o SAS alcançou no decorrer de seu serviço ativo (a unidade foi destituída com o final da II Guerra e reativada na década de 1950 como 22nd SAS Regiment [22° Regimento SAS]), serviu como modelo de referência para inúmeras unidades análogas espalhadas ao redor do mundo. Nesse contexto, quando o Coronel Charles Alvin Beckwith projetou a criação de uma unidade contraterrorista na estrutura organizacional do Exército norte-americano, o padrão adotado para àquele que viria a ser o 1º SFOD-D (1º Destacamento Operacional de Forças Especiais-Delta [Força Delta]) foi o do SAS.


Fotografia 2: Cena do filme "Bravo Two Zero" (1999), que retrata uma patrulha conduzida por operadores do Esquadrão B do 22° Regimento SAS com a missão de sabotar as plataformas de lançamento dos mísseis Scud e neutralizar as vias de comunicação inimigas durante a Guerra do Golfo. (Disponível em: http://movies.film-cine.com/bravo-two-zero-m85294 Acesso em: 21 mai. 2016).
No curso de sua história o SAS acumulou inúmeras operações de vulto que contribuíram para aprimorar sua expertise, entre as quais são dignas de nota: combate a terroristas na Malásia, após o assassinato de vários cidadãos britânicos (década de 1950); enfrentamento às forças indonésias e a guerrilha rebelde, que se opunham a criação da Federação Malaya (entre 1963 e 1966); combate guerrilhas comunistas que se opunham ao governo de Omã (1969-1976); engajamento para cessar a violência entre as comunidades católica e protestante na Irlanda do Norte (entre 1969 e 1996); resgate de reféns na embaixada do Irã situada em Londres (1980); combate às tropas argentinas por consequência da Guerra das Falklands/Malvinas (1982); operação de caçada aos misseis Scud durante a Guerra do Golfo (1990-1991); coleta de dados de inteligência e emprego de métodos de Ação Indireta por ocasião da guerra do Kosovo (1999); operação de resgate de reféns em Serra Leoa (2000); engajamento na GWOT (Guerra Global contra o Terror) nas campanhas do Afeganistão (2001-2012) e Iraque (2003-2008); orientação de ataques aéreos realizados pela OTAN em oposição ao governo de Muammar Khaddafi durante a Guerra Civil Líbia (2011); presta auxilio às forças curdas localizadas no norte do Iraque no confronto com militantes do Estado Islâmico (a partir de 2014).




sexta-feira, 20 de maio de 2016

Estágio de Caçador de Operações Especiais do Exército Brasileiro

Texto elaborado por Rodney Alfredo Pinto Lisboa com colaboração da equipe de instrução do Estágio de Caçador de Operações Especiais do CIOpEsp (Centro de Instrução de Operações Especiais) do Exército Brasileiro. 

O Caçador é um militar especializado em executar o tiro a grandes distâncias, valendo-se de armas longas para efetuar fogo seletivo, a comando ou não, contra alvos humanos (caçador antipessoal) ou materiais (caçador antimaterial) escolhidos conforme sua importância e/ou pela dificuldade de serem abatidos por outros meios.
Em âmbito nacional, o Caçador é responsável por executar uma variada gama de missões, a saber:

  • Executar tiros de precisão a longa distância, respondendo a comando ou não, em alvos planejados, selecionados ou de oportunidade;
  • Apoiar as Ações de Comandos, realizando tiros seletivos sobre alvos de interesse da missão;
  • Utilizar as equipes de caçadores (comandante da equipe; caçador; observador [spotter]; rádio operador; auxiliar de saúde/segurança), atuando isoladamente ou em apoio às outras unidades do COpEsp (Comando de Operações Especiais), FCbmOpEsp (Força Combinada de Operações Especiais) ou CmdoTO (Comando do Teatro de Operações);
  • Integrar o Destacamento de Reconhecimento de Caçadores do 1° BAC (1° Batalhão de Ações de Comandos) ou o Destacamento de Contraterrorismo do  1° BFEsp (1° Batalhão de Forças Especiais), sendo responsável pelo planejamento do emprego de todos os caçadores envolvidos na ação.

Fotografia 1: Alunos do Estágio de Caçador de Operações Especiais executam a "zeragem" (ajuste da luneta) dos fuzis de precisão. (Foto: CIOpEsp).
No Brasil, o CIOpEsp (Centro de Instrução de Operações Especiais) do Exército é a única instituição que integra a atividade do Caçador de Operações Especiais em sua grade curricular. Desenvolvido dentro do ambiente conjunto e interagências, o referido estágio contempla instrutores e alunos da comunidade OpEsp das Forças Singulares e Forças Auxiliares. Para que possam frequentar o Estágio de Caçador de Operações Especiais ministrado pelo CIOpEsp o candidato deve atender aos seguintes requisitos:

  • Possuir o curso de Ação de Comandos para militares do EB, e cursos análogos nas outras Forças Singulares e Auxiliares;
  • Ter excelente performance como atirador; possuir equilíbrio mental e emocional; Não ser suscetível à ansiedade ou remorso;
  • Ser capaz de julgar uma situação de forma analítica; ter experiência em Ações de Comandos.

Fotografia 2: Estagiários preparam seus trajes ghillie para melhor se camuflar com o terreno visando uma avaliação de caçada. (Foto: CIOpEsp). 

O estágio atualmente em curso, teve início no dia dois de maio, com previsão de término para o próximo dia 10 de junho, período que, no curso de seis semanas, contempla todos os conteúdos estabelecidos para o programa.
Aproveitando a estrutura utilizada para o Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo, ocorrido entre os dias nove e treze de maio, os alunos do Estágio de Caçador de Operações Especiais encontram-se na sede do COpEsp (Comando de Operações Especiais) em Goiânia-GO, para dar continuidade ao período de instruções realizadas durante a primeira fase do estágio, que é estruturado em três módulos distintos:
  1. Fase técnica – Onde são desenvolvidas competências relacionadas às técnicas de tiro, técnicas de caçador e técnicas de material.
  2. Fase de operações rurais – Onde são aprimoradas as capacidades inerentes ao reconhecimento especial.
  3. Fase de operações urbanas – Onde são aperfeiçoadas as habilidades atinentes ao reconhecimento especial, à ação direta mediante tiro de precisão e longa distância, e ao contraterrorismo.

Fotografia 3: Alunos confeccionam o croqui da área de tiro na caderneta para execução da avaliação de tiro a distâncias desconhecidas. (Foto: CIOpEsp).

Após duas semanas intensas de aprendizado na sede do CIOpEsp em Niterói-RJ, os futuros caçadores adquiriram conhecimento técnico sobre o tiro de precisão a longa distância, balística interna e externa, observação, memorização e descrição, busca, seleção e designação de alvos, e avaliações de distância. Submetidos a uma carga horária teórica que ultrapassa 80 horas/aula, os alunos adquiriram conhecimentos extremamente necessários para aprimorar as técnicas de tiro e de caçador.
No início desta semana (15/05) os estagiários se deslocaram para Goiânia-GO, onde permanecerão até 29/05 praticando as técnicas de tiro de campo que os distinguem como membros da comunidade OpEsp, entre as quais destacam-se: tiro embarcado em aeronave de asa rotativa (helicóptero); tiro embarcado em bote, tiro de distância desconhecida entre 200m e 1.000m; tiro noturno com equipamento de visão noturna, entre outras técnicas peculiares.

Figura 1: Bandeira dos Caçadores de Operações Especiais. (Fonte: Acervo do CIOpEsp).

Além de contribuir com apoio logístico, o COpEsp brindou o Estágio de Caçador de Operações Especiais com uma demonstração de material utilizado pelo 5° Destacamento Operacional de Forças Especiais, responsável pelas ações de assalto e reconhecimento especial/caçador, do 1° BFEsp, e do Destacamento de Reconhecimento e Caçadores, fração do 1° BAC que enquadra os caçadores mais experientes do COpEsp.
Ainda em Goiânia, os alunos terão a oportunidade de realizar o planejamento e execução de uma missão de Reconhecimento Especial empregando todas as técnicas já aprendidas até o momento sobre o Caçador de Operações Especiais.
Terminado o período de instruções ministrado no COpEsp, o Estágio de Caçador de Operações Especiais retornará a Niterói onde os alunos iniciarão a 3ª fase do programa.




quarta-feira, 18 de maio de 2016

Expansão das Forças de Operações Especiais dos EUA pelo Mundo (Parte Final)

Adaptação do texto escrito originalmente por Nick Turse, editor associado da TomDispatch.com e autor do livro The Complex: How the Military Invades Our Everyday Lives. (Disponível em: http://inthesetimes.com/article/18537/special-ops-deployment-iraq-afghanistan-military Acesso em: 14 mai. 2016).

Conduzidas com o objetivo de realizar ataques seletivos de captura ou eliminação no intuito de desestabilizar ou suprimir as redes terroristas e seus apoiadores, as ações orquestradas pelo JSOC (Comando Conjunto de Operações Especiais) reúnem o 1º SFOD-D (1º Destacamento Operacional de Forças Especiais-Delta [Força Delta]) e o DEVGRU (Grupo de Desenvolvimento de Guerra Especial Naval), ambas unidades consideradas como sendo a elite da comunidade OpEsp dos EUA. O levantamento de mais de uma década de operações levadas a efeito do Afeganistão ao Iraque, da Somália à Síria, nos apresenta o perfil de uma força contraterrorista extremamente preparada, bem financiada, e com alcance global. Para Sean Naylor, profundo conhecedor das unidades militares de elite estadunidenses e autor do livro Relentless Strike: The Secret History of Joint Special Operations Command (também indisponível em língua portuguesa), o JSOC é definido como sendo um “martelo”. Entretanto, Naylor alerta para os riscos dos governos que se sucedem em Washington continuem a avaliar como “pregos” muitos dos problemas de segurança nacional.
Durante a administração do Presidente Barack Obama as ações conduzidas pelo JSOC têm alcançado resultados distintos. Considerando as ações conduzidas como operação de resgate de reféns, implicações como as obtidas em decorrência do resgate do Capitão Richard Phillips, comandante do navio porta-contêineres Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis, podem inibir o assédio e a apreensão de cidadãos norte-americanos. Por outro lado, consequências como as alcançadas em virtude da fracassada tentativa de resgate de Lucas Daniel Somers, fotojornalista britânico de cidadania americana morto por militantes da al-Qaeda na Península Arábica em 2014, podem ter o efeito contrário.

Fotografia 3: Operadores SEAL em cena do filme "O Grande Herói" (2013), retratando a sequência de eventos ocorridos por ocasião da "Operação Redwing", realizada  em 2005 na província de Kunar, Afeganistão. (Fonte: Disponível em: http://www.askmnaAfeganistão. en.com/entertainment/news/exclusive-lone-survivor-interviews.html Acesso em: 16 mai. 2016).

Especificamente em relação às ações contraterroristas, o JSOC dispõe de reconhecida capacidade para confrontar organizações terroristas, desestabilizando-as mediante combinação de operações de inteligência com métodos de Ação Direta (ataques seletivos de captura ou eliminação). Realizadas de forma sistemática, as operações realizadas pelo JSOC impõem pressão sobre as organizações terroristas à medida que as impede de tomar a iniciativa visando o planejamento e a execução de ações contra os EUA e seus aliados. Contudo, o emprego do JSOC deve ser encarado como “uma ferramenta” disposta na caixa de ferramentas dos formuladores das políticas norte-americanas, jamais sendo encarado como uma estratégia em si.
Se o JSOC limitar-se a pressionar as organizações terroristas capturando ou eliminando indivíduos, não conseguindo obter resultados decisivos para minar as redes militante e de apoio ao terrorismo, os esforços despendidos terão redundado em meras ações paliativas que jamais alcançarão o resultado desejado. É evidente que ações como a captura de Saddan Hussein (presidente do Iraque entre 1979 e 2003), a morte de seus filhos (Uday e Qusay), bem como as mortes de Osama bin Laden e Abu Musab al-Zarqawi (líder da al-Qaeda no Iraque) causaram grande impacto. Todavia, é necessário esclarecer que independente do impacto causado por determinada ação, o sucesso alcançado por ela pode ter consequências distintas. Nesse sentido, impacto e sucessão não devem ser tratados como sinônimos.
O USSOCOM alega que as OpEsp somente podem ser bem sucedidas quando os seis Comandos Geográficos distribuídos em diferentes regiões do mundo (USEUCOM; USPACOM; USAFRICOM; USSOUTHCOM; USNORTHCOM; USCENTCOM) oferecerem o devido suporte em sua área de responsabilidade para que as FOpEsp possam desempenhar as tarefas a elas atribuídas.  

Figura 1: Comandos Geográficos do Departamento de Defesa dos EUA e suas respectivas Áreas de Responsabilidade. (Fonte: Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:US_Army_Commands.png Acesso em: 16 mai. 2016).

Andrew J. Bacevich, Coronel reformado do Exército dos EUA que atua como professor de História e Relações Internacionais da Universidade de Boston, pondera que os militares norte-americanos historicamente tendem a confundir números com resultados. O esforço é mensurado e o progresso é avaliado, considerando a quantidade de operações realizadas. Atualmente, ao analisar o número de países nos quais as tropas especiais estadunidenses se fazem presente, o erro se repete. Mesmo quando consideradas as especificidades das unidades de elite dos EUA, mantê-las distribuídas por diferentes países constitui um desafio extremamente complexo e difícil, fato que compromete sua capacidade de obter resultados realmente significativos.




segunda-feira, 16 de maio de 2016

Expansão das Forças de Operações Especiais dos EUA pelo Mundo (Parte 1)

Adaptação do texto escrito originalmente por Nick Turse, editor associado da TomDispatch.com e autor do livro The Complex: How the Military Invades Our Everyday Lives. (Disponível em: http://inthesetimes.com/article/18537/special-ops-deployment-iraq-afghanistan-military Acesso em: 14 mai. 2016).

Em um comunicado recente, o USASOC (Comando de Operações Especiais do Exército dos EUA) destacou que na última década suas Forças Especiais (Boinas Verdes) atuaram em 135 países. Conforme esse documento, os sucessos alcançados no Afeganistão, no Iraque, no Sahel da África, nas Filipinas, no Caribe, e na América Central, resultaram em uma crescente demanda pelo emprego de tropas especiais ao redor do mundo.
Após a série de atentados terroristas perpetrados pela al-Qaeda contra o território norte-americano em nove de setembro de 2001, os capacidades do USSOCOM (Comando de Operações Especiais dos EUA) experimentaram grande incremento para que pudesse conduzir as ações que lhe foram imputadas (promover a GWOT [Guerra Global contra o Terrorismo]). Segundo Ken McGraw, porta-voz do USSOCOM, em 2015 as Forças Especiais estadunidenses foram implantadas em 75% das nações do planeta, fato que representa um salto de 145% em relação ao final do governo do presidente George W. Bush. Nesse contexto, quadros operacionais das unidades de elite norte-americanas podem ser encontradas entre 70 a 90 países em qualquer dia do ano.


Fotografia 1: Operador das Forças Especiais do Exército norte-americano (Boinas Verdes) durante combate contra forças Talebã na província afegã de Kandahar. (Fonte: Disponível em: http://opdownrange.tumblr.com/post/111398990076/a-us-green-beret-crosses-the-roof-of-a-compound Acesso em: 14 mai. 2016).

Para Linda Robinson, analista sênior de política internacional da RAND Corporation, autora do livro One Hundred Victories: Special Ops and the Future of American Warfare (obra ainda indisponível em português), o elevado número de países nos quais as tropas especiais dos EUA encontram-se distribuídas constitui um erro em si. Citando as Ações Indiretas levadas a efeito na Colômbia e nas Filipinas como o exemplo mais bem sucedido de utilização das FOpEsp nos últimos, Robinson defende que o emprego das unidades de elite devem ter uma abordagem mais ponderada e focada. Segundo ela, antes de lançar mão das unidades de elite, é necessário que as autoridades norte-americanas ponderem acerca dos locais onde, ao serem empregadas, as tropas especiais terão maior probabilidade de obter sucesso. Para elevar o percentual de resultados positivos, é essencial limitar o número e lugares considerados para dispor FOpEsp.
Robinson demonstra ceticismo ao avaliar a validade das missões de curto prazo para as quais os denominados “operadores brancos” das FOpEsp estadunidenses são destacados. O termo “branco” é empregado em referência e oposição às “Black Ops”, operações secretas de elevado grau de sensibilidade, desempenhadas pelos mais destacados integrantes da comunidade OpEsp dos EUA. É necessário esclarecer que na maior parte dos países onde atuam as tropas especiais norte-americanas, tal desdobramento ocorre em virtude de treinamentos conduzidos em conjunto com tropas de outras nacionalidades. Entre 2012 e 2014, es FOpEsp estadunidenses participaram de aproximadamente 500 JCET (Joint Combined Exchange Training) em cerca de 67 países. O programa JCET foi desenvolvido com o intuito de promover uma troca de experiências entre as tropas especiais norte-americanas e as unidades análogas dos países que as acolhem. Para os FOpEsp estadunidenses, esse programa busca aprimorar e diversificar a formação de seus operadores, oferecendo-lhes oportunidades de treinar em um ambiente no qual poderão vir a atuar futuramente. Embora seja um programa importante, o JCET constitui apenas uma pequena parcela do esforço das unidades de elite dos EUA no que se refere ao treinamento de tropas especiais de nações estrangeiras.


Fotografia 2: Quadros operacionais das Forças Especiais dos EUA ministram treinamento para a polícia afegã. (Fonte: Disponível em: http://edition.cnn.com/2015/10/30/politics/syria-troops-special-operations-forces/ Acesso em: 14 mai. 2016).

Recentemente, um programa de US$500 milhões foi aprovado para que os Boinas Verdes conduzissem um programa destinado a treinar uma milícia síria de mais de 15.000 homens no decorrer de vários anos. Contudo, o resultado insatisfatório desse programa (produzindo menos de uma dezena de combatentes) levou-o a ser abandonado. Essa falha, acrescida de outras muito maiores e mais onerosas, como as tentativas de treinar forças de segurança no Afeganistão e no Iraque, incitou Andrew J. Bacevich, Coronel reformado do Exército e professor de História e Relações Internacionais da Universidade de Boston, a escrever que o governo dos EUA deve assumir publicamente quando as Forças Armadas do país estiverem envolvidas na tarefa de organizar, treinar e equipar forças militares estrangeiras.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

Treinamento Conjunto de Operações Especiais: 5º dia (13/05)


Fotografia 1: ElmOpEsp participam de simulação de ataque terrorista ao estacionamento (figurado) de um shopping center. (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp).

Diferente do que ocorreu nos dias anteriores, o quinto e último dia do Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo, realizado no COpEsp em Goiânia-GO, não contemplou uma rotina de oficinas práticas. Os times táticos limitaram-se a participar de debriefings acerca da Avaliação Pós-Ação, preparada na noite anterior, de modo a analisar a performance individual e coletiva com o objetivo de corrigir e/ou aprimorar as táticas e os procedimentos operacionais adotados, bem como a metodologia de emprego do equipamento/armamento. Realizado no âmbito de cada equipe, esse debriefing ajuda a projetar o modus operandi dos times táticos quando de sua preparação individual em suas respectivas sedes.
Encerrados os debriefings, ocorreu uma cerimônia para formalizar o encerramento das atividades realizadas por ocasião do treinamento de Operações Especiais conjuntas interagências. Após a cerimônia de encerramento, os quadros operacionais das várias equipes que se reuniram em Goiânia confraternizaram em um evento informal como é costume na comunidade de Operações Especiais. A partir de então, os times táticos passaram a se preparar para o retorno a seus estados de origem, deslocamento que ocorrerá entre esta sexta-feira (13/05) e o próximo sábado (14/05).

Tabela 1: Unidades participantes do Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo. (Elaborado por: Rodney Alfredo Pinto Lisboa).



Agradecimentos:
Pelo inestimável apoio manifestado por ocasião de nosso trabalho divulgando este Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo, o blog FOpEsp expressa sinceros agradecimentos ao Cel FE Alessandro Visacro (Oficial de Planejamento do COpEsp), ao Maj FE Felipe Guimarães Rodrigues (Adjunto de Planejamento do CopEsp), bem como ao Maj Edvan Moraes Santos (Oficial de Comunicação Social do COpEsp). 



quinta-feira, 12 de maio de 2016

Treinamento Conjunto de Operações Especiais: 4º dia (12/05)


Fotografia 1: Simulação de escolta aérea a um comboio VIP. (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp).

No quarto dia de atividades do Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo, os times táticos, assim como ocorreu nos dias anteriores, tiveram suas capacidades colocadas à prova em oficinas variadas.
Em uma simulação de escolta aérea a um comboio VIP, os ElmOpEsp transportados por helicóptero viram-se obrigados a desembarcar rapidamente da aeronave ao identificar que elementos adversos assediavam o comboio com o objetivo de sequestrar a personalidade por eles protegida. Coube ao time tático a tarefa de evitar que o sequestro fosse consumado.
Novamente foi conduzida uma oficina na Casa de Tiro em Compartimento com o objetivo de praticar entrada tática e procedimentos CQB (Confronto em Recinto Confinado). O diferencial e a dificuldade para as equipes táticas nesse treinamento foi a necessidade de trajar o equipamento DQBRN (Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear). Complementando a oficina, era necessário que os quadros operacionais que participaram da ação experimentassem todo o processo de descontaminação característico em operações dessa natureza.

Fotografia 2: Procedimentos CQB empregando equipamento DQBRN. (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp).

Em outra oficina, o time tático teve a responsabilidade de localizar e neutralizar um franco atirador que executava disparos a esmo contra o público que prestigiava uma competição em um ginásio esportivo.
Duas outras oficinas tratavam, especificamente, da habilidade do atirador de precisão (caçador). Em uma delas, o caçador fornecia suporte de fogo ao time tático que se deslocava pelo terreno executando movimentos táticos. Na outra, por sua vez, o caçador, carecendo realizar ajustes em seu sistema de pontaria, era forçado a assumir posturas distintas (em pé, apoiado sobre os joelhos, sentado, ou deitado) para executar disparos de precisão contra alvos localizados em distâncias variáveis.
Embora todos os estados onde ocorrerão competições Olímpicas e/ou Paralímpicas tenham enviado equipes táticas para participar do treinamento conjunto interagências, é interessante notar que tanto Goiás quanto Paraná, estados onde não estão previstos acontecimentos relacionados aos jogos, também se fazem presente no evento com dois times cada um. Isso se deve ao fato de que ambos estados encontram-se em regiões sensíveis do país (Goiás próximo à Brasília, enquanto no Paraná encontra-se localizada a tríplice fronteira), podendo suas forças policiais ser empregadas no decorrer dos jogos.

Fotografia 3: Atirador de precisão (caçador) efetuando disparos em posições distintas e distâncias variadas, (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp).



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Treinamento Conjunto de Operações Especiais: 3º dia (11/05)


Fotografia 1: Time tático conduz um Assalto Linear em Ônibus. (Foto:Seção de Comunicação Social do COpEsp). 

No terceiro dia do Treinamento Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo, os times táticos reunidos em Goiânia participaram de diversas oficinas táticas vivenciando situações diferenciadas.
Denominada “Assalto Linear em Ônibus”, esta oficina simulou uma situação na qual os passageiros de um ônibus coletivo foram tomados como reféns por elementos adversos. Para confrontá-los, coube às equipes que participaram da simulação deslocar-se furtivamente pelo ambiente valendo-se de movimentação tática (Trem de Assalto) até o objetivo visando conduzir uma eventual invasão para resgatar os reféns mantidos em cativeiro no interior do veículo. Interessante salientar que antes de cada simulação, as equipes promoviam ensaios “em seco” (sem munição) a fim de estudar a melhor forma de abordagem.
A execução de um assalto aeromóvel foi outra oficina realizada nesta quarta-feira. Nessa oficina, um helicóptero HM-1 Pantera que conduzia a equipe tática efetuou um “pouso de assalto” (caracterizado pelo pouso e desembarque rápidos) liberando os ElmOpEsp para que pudessem desencadear uma operação de assalto na área do objetivo.
No decorrer do dia também ocorreu uma simulação de ocorrência envolvendo um ataque terrorista nas dependências de um shopping center. Essa oficina, conduzida com emprego de munição real, ocorreu no espaço aberto do estacionamento.


Fotografia 2: Procedimento de varredura na Casa de Tiro em Compartimento. (Foto:Seção de Comunicação Social do COpEsp).

Os times táticos tiveram a oportunidade de participar de um treinamento com reféns na Casa de Tiro em Compartimento, comumente conhecida como “Casa de Matar”. Nessa oficina, as equipes utilizaram o sistema de treinamento não letal Simunition, composto por kits de conversão que capacitam o armamento a disparar cartuchos de marcação contendo tinta, além de equipamento de proteção.
No período da noite, foram realizadas duas oficinas: entrada tática em uma casa semiobscurecida; além da retomada de um ginásio esportivo capturado por terroristas.
Salientamos que exercícios desta ordem são fundamentalmente importantes para preparar adequadamente os times táticos que atuarão na segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, uma vez que eventos dessa natureza são um chamariz para as organizações terroristas, motivadas a perpetrar seus ataques com o objetivo de provocar medo na sociedade, de modo a gerar o maior impacto possível junto à opinião pública, a fim de buscar publicidade para sua causa. 




terça-feira, 10 de maio de 2016

Treinamento Conjunto de Operações Especiais: 2º dia (10/05)


Fotografia 1: Oficina de tiro individual/progressão em dupla. (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp).

Oficialmente denominada como “Exercício Conjunto Interagências de Enfrentamento ao Terrorismo”, a bateria de exercícios que congrega 28 equipes táticas das Forças Armadas e dos órgãos de segurança que atuarão nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, reuniu, nesta terça-feira (10/05), 22 adidos militares (representante das embaixadas para assuntos militares), além de autoridades do MD (Ministério da Defesa) e da PF (Polícia Federal). O segundo dia de atividades realizadas no COpEsp também abriu espaço para que diferentes órgão de imprensa pudessem coletar imagens e depoimentos relacionados ao treinamento.
Abrindo os trabalhos desta terça-feira, dois briefings foram ministrados no período da manhã, um conduzido pelo Gen Bda Mauro Sinott Lopes (Comandante do CopEsp e do CCPCT) para os adidos militares e autoridades, e outro conduzido por oficiais do COpEsp para os órgão de imprensa. Ambos briefings trataram de apresentar aos espectadores informações relacionadas às atividades interagências, às oficinas táticas, bem como à estrutura de enfrentamento ao terrorismo.
Em seguida ocorreu uma mostra de materiais empregados (armas e equipamentos), além de um circuito de visitas às oficinas de tiro individual/progressão em dupla, clicagem de armamentos, e DSET. Especificamente no que se refere à essas duas últimas oficinas cabe um esclarecimento. O procedimento de “clicagem” corresponde ao acerto do sistema de pontaria (aberta ou optrônica) em relação ao cano da arma, visando alinhá-los ao alvo tornando-os colimados. Por sua vez, DSET (Dispositivo de Simulação de Engajamento Tático) constitui um aparelho (acoplado à extremidade do fuzil) que dispara um feixe laser que é captado por sensores localizados em uma roupa especial utilizada por indivíduos que fazem figuração como inimigos. Os dados ficam arquivados em um computador, permitindo identificar o autor do disparo e o local do corpo onde ocorreu o “impacto” do feixe.

Fotografia 2: Oficina de "clicagem" de armamentos. (Foto: Seção de Comunicação Social do COpEsp). 

Terminado o circuito de visitas às oficinas, os órgão de imprensa passaram a entrevistar o Gen. Sinott e alguns adidos militares, entre os quais, destacamos o adido do Reino Unido, cuja capital (Londres) foi sede dos últimos jogos realizados em 2012.
No decorrer da entrevista o Gen. Sinott declarou:


Os adidos puderam perceber nitidamente que o nosso planejamento, a nossa arquitetura montada para fazer frente à possíveis ameaças é perfeitamente factível em termos militares [...]Nessa atividade, conseguimos traduzir para eles, em termos práticos, como vamos desenvolver de forma integrada a atividade contraterror. E pudemos mostrar que a agenda da segurança é uma atividade de Estado que está em plenas condições de proporcionar a segurança adequada, não só para a nossa população, mas para todas as delegações que aqui estiverem.


As atividades da manhã foram finalizadas com um almoço de confraternização para as autoridades e representantes da Alemanha, Argentina, Chile, EUA, Indonésia, Japão, México, Polônia, Reino Unido, Rússia, entre outros.
No período da tarde, já sem a presença dos convidados, as equipes reproduziram as oficinas realizadas durante o período da manhã.