segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Informativo FOpEsp, nº 21

HANGOUT Bad Boy Tactical e NT2 
Tema: COMBATE URBANO II



Informamos que no próximo dia 25/10/17 (Quarta-Feira), a partir das 20:00hs, ocorrerá o 3º HANGOUT promovido pela Bad Boy Tactical e NT2, reunindo as maiores referências do Brasil para novamente expor o tema COMBATE URBANO. Na ocasião do evento, desenvolvido de forma ON-LINE, AO VIVO e GRATUITA (na FanPage Bad Boy Tactical e NT2 [Facebook Live]), o presente tema será abordado com o devido embasamento jurídico, com exposição pelo renomado Juiz e Presidente do Tribunal de Júri do Estado do Rio de Janeiro Dr. Alexandre Abraão.
Cada um debatendo o referido tema em éreas de atuação específicas, participarão da conferência os seguintes profissionais: 

Dr. Alexandre ABRAHÃO (Abordagem: A evolução do crime organizado no Rio de Janeiro)
Nascido e criado em uma família de policiais, o juiz de Direito Alexandre Abrahão Dias Teixeira é um estudioso das organizações criminosas no Brasil. Presidente do 3º Tribunal do Júri do Município do Rio de Janeiro, Alexandre Abrahão é responsável por julgamento de processos contra os mais perversos narcotraficantes brasileiros, instalados, notadamente, na capital carioca. Foi dele a extraordinária decisão que determinou o arquivamento do Inquérito que envolvia os policiais civis na morte do bandido Márcio José Sabino Pereira, o Matemático.


Cel Alessandro VISACRO (Abordagem: Guerra Irregular)
Oficial do Exército Brasileiro, atualmente desempenha a função de Chefe do estado-maior do Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro, sediado em Goiânia-GO. Graduado pela turma de 1991 da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), possui os seguintes cursos militares: Curso de Ações de Comandos; Curso de Forças Especiais; Curso de Infantaria da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais;  Curso de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército; Curso de Mestre de Salto Paraquedista;


Prof. Ms. Rodney  LISBOA (Abordagem: Preparação humana [física, psicológica e intelectual] do ElmOpEsp)
Professor universitário; Pós-graduado em História Militar; Mestre em Estudos Marítimos (área de concentração: Segurança, Defesa e Estratégia Marítima); Sócio correspondente do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB); Colaborador da Revista Segurança & Defesa para o seguimento Operações Especiais; Consultor do site Plano Brasil (Defesa e Geopolítica) em assuntos relacionado às Operações Especiais; Autor de diversos artigos sobre Operações Especiais e Guerra Irregular.


Cap PM Victor BOMFIM (Mediador)
Oficial da Polícia Militar de Santa Catarina, Oficial da Reserva do Exército Brasileiro, Graduado em Direito, Pós-Graduado em Segurança Pública e Pós-Graduando em História Militar, possuí os seguintes cursos militares: Curso de Operações Especiais (PMRO); Curso de Operações de Choque (PMPI); Curso de Patrulhamento Tático Móvel (PMRO); Curso de Patrulhamento em Ambiente Rural (PMMT); Curso de Paraquedismo Operacional (PMDF); Curso de Mergulhador Policial (PMDF).


*PROMOÇÕES:* 
* Liberação cupom desconto 30% durante HANGOUT.

CONFIRME SUA PRESENÇA ATRAVÉS DO LINK:





terça-feira, 26 de setembro de 2017

Comandando a Tropa no Campo de Batalha: Atribuições de Liderança no Âmbito das Operações Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Fotografia 1: Cena do filme "Falcão Negro em Perigo" (2001) destacando o confronto entre os operadores do 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais-Delta (1st Special Forces Operational Detachment-Delta [1st SFOD-D]) do Exército dos EUA e a milícia somali nas ruas de Mogadiscio em 1993. (Fonte: Disponível em: http://www.thefocuspull.com/features/africa-in-cinema-somalia-and-black-hawk-down/Acesso em: 25 set. 2017). 

No mundo contemporâneo caracterizado pela competitividade em todas as esferas de atuação, questões relacionadas à liderança devem ser profundamente analisadas por pessoas e instituições que atribuem à função do líder uma considerável parcela de responsabilidade pelos bons resultados obtidos seja em âmbito pessoal ou coletivo. Seja a liderança conquistada de maneira formal (por merecimento ou eleição) ou informal (que surge de forma absolutamente natural), e ainda que o ofício de líder possa variar conforme a atividade desempenhada, a ação de liderar está intrinsecamente relacionada à capacidade de comandar, gerenciar e influenciar pessoas.
Ainda que o desenvolvimento e/ou aprimoramento das capacidades de liderança sejam desejáveis, sobretudo, em atividades profissionais que dependem da dinâmica do trabalho realizado em grupos para alcançar os resultados almejados, o tipo de liderança a que nos referimos aqui é uma categoria peculiar, exercida em situações de criticidade, pressão e risco elevados, às quais exploram o máximo das competências (moral, intelectual e psicológica) do indivíduo que lidera.
Considerando que a presente abordagem enfoca a liderança no contexto das atividades militares, é imprescindível esclarecer que qualquer análise, necessariamente, deve levar em conta o tripé formado pelo líder; seus seguidores e ambiente organizacional, para que o desenvolvimento dessa relação ocorra de forma harmônica evitando desproporções (discrepâncias). Diferente do que acontece nas tropas convencionais, onde a liderança é exercida com base em um sistema de relações hierárquicas (normalmente o exercício da liderança é atribuído às patentes mais elevadas), no contexto das Forças de Operações Especiais (FOpEsp), ainda que a hierarquia necessariamente tenha que ser respeitada, há uma flexibilidade própria da atividade que possibilita ao operador se valer de sua liberdade intelectual e experiência pessoal como prerrogativa para o exercício de liderança, mesmo que pontual, independente da patente ostentada.
Como convém a qualquer FOpEsp, é essencial que todos os integrantes do destacamento operacional/ equipe tática inserida na Área de Operações (AO) possuam o conjunto de predicados que os capacitem a exercer liderança. No decorrer dos engajamentos conduzidos com base no método de Ação Direta, por mais que o comando das ações táticas esteja à cargo do militar mais graduado da equipe, caso ele seja impossibilitado de continuar a comandar a função de líder é prontamente assumida pelo segundo operador na cadeia de comando e assim sucessivamente. Essa forma de liderança decorre de maneira circunstancial, surgindo a partir de situações que oportunizam ao militar, por ocasião de sua graduação e/ou capacidades específicas, exercer momentaneamente a função de líder.

Fotografia 2: Cena do Filme "O Homem mais Procurado do Mundo" (2012) retratando o Briefing realizado com os integrantes do Grupo de Desenvolvimento de Guerra Especial Naval (Naval Special Warfare Development Group [DEVGRU]) que participaram da Operação Lança de Netuno (Operation Neptune Spear) que culminou com a morte de Osama bin Laden. (Fonte: Disponível em: http://www.cine-vue.com/2012/12/film-review-code-name-geronimo.html Acesso em: 25 set. 2017).

Em virtude da necessidade de capacitar todos os Elementos de Operações Especiais (ElmOpEsp) no ofício de liderar, cabe aos processos seletivos e cursos de formação de operadores o desafio de abranger em sua estrutura curricular a aquisição/aprimoramento dos atributos de liderança juntamente com as demais qualidades essenciais à atividade OpEsp, a saber: agressividade controlada; estabilidade emocional; disciplina consciente; espírito de corpo; flexibilidade; honestidade; iniciativa; lealdade; perseverança; versatilidade.
Por ocasião das ações levadas à efeito como uma operação de natureza especial, é fundamentalmente importante que o militar que lidera tenha conhecimento das diferentes Técnicas, Táticas e Procedimentos (TTP), bem como das características relacionadas à tríade: líder; grupo; situação. Na condução das atividades operativas, é pouco provável que a equipe cumpra com seu(s) objetivo(s) tendo um líder tecnicamente despreparado, que ignora as capacidades de seus comandados, e que não esteja devidamente adaptado à situação que a ele se apresenta. Assim, é imprescindível que o líder faça um diagnóstico do grupo sob seu comando de modo a adequá-lo à ocorrências e ambientes distintos.
Uma questão que merece ser debatida refere-se ao sentimento mútuo de pertencimento e camaradagem que o líder e os comandados nutrem para com sua equipe. Constituída com base em fenômeno da Psicologia denominado “Instinto Gregário”, a personalidade do grupo de operadores que compõem a equipe fundamenta-se na combinação de personalidades dos militares que a integram, levando o ElmOpEsp a substituir a percepção individual (eu) por uma percepção coletiva (nós) que cria uma profunda ligação de respeito, confiança e senso de objetivo comum, enquanto evidencia uma sensação de incompletude quando o indivíduo se sente só.
No que concerne ao papel do líder de OpEsp, o comportamento pessoal é uma “ferramenta” crucial para estabelecer e cultivar uma relação de vínculo com os comandados. Assim, ainda que o carisma pessoal contribua para despertar a empatia, as atribuições de liderança são legitimadas quando o líder adota uma conduta apropriada (liderar pelo exemplo), postando-se, relacionando-se e comunicando-se de forma direta e transparente com seus subordinados.


Figura 1: O atributo da liderança na percepção do General (Ref.) Stanley McChrystal, oficial das Forças Especiais dos EUA que comandou as Forças de Coalizão dos EUA e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão entre 2009 e 2010. (Fonte: Arte elaborada por Rodney Alfredo P. Lisboa).

 O caráter muitas vezes sensível e urgente das OpEsp não dá margem para dúvidas ou hesitações. Assim, tão importante quanto a precisão das ações executadas no curso da operação, é tarefa do líder tomar decisões críticas que podendo resultar em ameaça à interesses político-estratégicos e/ou risco de morte, forçando-o a assumir os encargos que lhe cabem por ocasião dos resultados obtidos no desfecho da missão (Responsabilidade de Comando).
Por mais que os atributos de liderança possam ser adquiridos (mediante processos distintos) por um indivíduo que não tenha manifestada tal predisposição, a classe de líderes inatos que nascem com tal predicado e promovem o aprimoramento dessa virtude no decorrer de sua vida operativa sempre produzirá comandantes mais apurados.
Em uma palestra ministrada em fevereiro de 2012 para um público de seiscentas pessoas no auditório da Stanford Graduate School of Business, Stanley Allen McChrystal, General de quatro estrelas (reformado) do Exército norte-americano que entre 2003 e 2006 comandou o Comando de Operações Especiais Conjuntas (Joint Special Operations Command [JSOC]) dos EUA, declarou que o exercício da liderança não é fruto de um dom ou talento mas a consequência de uma escolha. Ponderando acerca da afirmação feita pelo General McChrystal, é possível presumir que pessoas que manifestam essa virtude podem, por opção, falta de conhecimento ou oportunidade, não exercitá-la. Entretanto, àqueles que optarem pela prática da liderança, independente desta manifestar-se de forma inata (dom) ou adquirida (talento), devem prepara-se sistemática e convenientemente para essa difícil incumbência. 




quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Aplicações Tecnológicas OpEsp nº 3: Embarcação Comando Multifunção Embarcável (ECUME)

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Embarcação Comando Multifunção Embarcável
Embarcation Commando à Usage Multiple Embarquables (ECUME)

Fotografia 1: Embarcação de casco semi-rígido ECUME durante adestramento com os quadros operacionais do Commando Ponchardie da Marinha francesa. (Fonte: Disponível em: https://www.meretmarine.com/fr/content/commandos-marine-lecume-operationnelle Acesso em: 20 set. 2017). 

Desenvolvido como uma plataforma multipropósito a ser utilizada por Forças de Operações Especiais, o termo “Commando” é empregado em referência às tropas militares de natureza não convencional (Operações Especiais [OpEsp]), o denominado “Projeto ECUME” originou-se em 2015 a partir da necessidade de equipar com meios navais o Commando Ponchardie, tropa especial vinculada à Marinha francesa e à Força Marítima de Fuzileiros Navais e Comandos (Force Maritime des Fuziliers Marins et Commandos [FORFUSCO]).
Idealizado pela Zodiac Milpro para substituir a Embarcação de Transporte Rápido para Emprego de Comandos (Embarcation de Transport Rapide pour Commandos [ETRACO]), a ECUME caracteriza-se como um bote pneumático de caso semi-rígido capaz de transportar uma equipe de até 12 operadores totalmente equipados. A embarcação apresenta grandes mudanças em relação à sua antecessora, sobretudo no que concerne à integração de equipamentos (meios de navegação, comunicação, detecção e armamentos) e no projeto estrutural, uma vez que seu design foi concebido com a finalidade de atender às necessidades dos comandos navais franceses.


Figura 1: Especificações técnicas da Embarcação Comando Multifunção Embarcável. (Fonte: Elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa com base em informações fornecidas pela MD-BALLY).

A ECUME caracteriza-se por ser uma plataforma marítima rápida, versátil, configurável (conforme o perfil da missão), resistente e manobrável mesmo nas condições mais adversas de tempo e mar. Concebida com base no conceito de interoperabilidade, característica que possibilita à embarcação ser utilizada nos principais navios da Marinha francesa, a ECUME é vocacionada para desempenhar uma diversidade de tarefas operativas, entre as quais: operações de assalto; apoio de fogo; vigilância furtiva; ações de combate à pirataria e ao tráfico de drogas, armas e pessoas; entre outras.
Equipada com um casco feito de materiais compostos, a ECUME é impulsionada por um conjunto de potentes motores embutidos que operam com o mesmo combustível que abastece as Fragatas Européias Multipropósito (Frégate Européenne Multi-Mission [FREMM]) e aos Navios de Projeção e Comando (Bàtiments de Projection et de Commandement [BPC]), aos quais é implantada como lancha de interceptação
A embarcação dispõe de um Sistema de Liberação Aérea (Système de Largage ECUME [SLE])) que permite seu lançamento por paraquedas diretamente no mar por aeronaves de transporte militar dos tipos C130 Hercules e A400M Atlas. Essa capacidade é considerada crucial para tropas OpEsp navais que necessitam ser infiltradas à grandes distâncias. 


Vídeo 1: Apresentação da embarcação de casco semi-rígido ECUME durante a Euronaval 2016, considerada como uma das maiores feiras do mundo no setor de Defesa naval. (Fonte: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=IpdQglLDqD8 Acesso em 20 set. 2017). 


Para maiores informações consultar:
http://www.zodiacmilpro.com

http://www.md-bally.com.br




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Informativo FOpEsp, nº 20

Publicação de Artigo

Fotografia 1: Quadros Operacionais da Brigada de Infantaria Kfir, vinculada às Forças de Defesa de Israel, executam adestramento de progressão em terreno urbano e técnicas de Confronto em Recinto Confinado. (Fonte: Disponível em: http://lonesoldier.weebly.com/1/post/2013/07/kfir-my-new-home.html Acesso em: 12 set. 2017). 

Informo a todos os seguidores do blog FOpEsp que a Revista Segurança e Defesa em sua última edição (nº 127, p. 46-49), publicou um artigo de minha autoria com o título:


"Avançando pelo Labirinto: Procedimentos de Progressão em Ambiente Urbano por FOpEsp"

Publicado como matéria de capa de uma das mais conceituadas revistas dos segmentos Defesa e Segurança da América do Sul, o presente artigo aborda a intrincada tarefa à cargo dos Elementos de Operações Especiais (ElmOpEsp) de progredir pelas diferentes vias de acesso do terreno urbano com a finalidade de estabelecer contato com as tropas inimigas e/ou alcançar vantagens que possibilitem a execução de ações futuras. 

Fotografia 2: Capa da edição nº 127 da Revista Segurança e Defesa. (Fonte: Acervo da Revista Segurança e Defesa).



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Informativo FOpEsp, nº 19

Lançamento do Anel do Blog FOpEsp




Celebrando a parceria firmada com o blog FOpEsp, a Ginglass Jóias, empresa que se notabiliza no cenário nacional pelo design e confecção de sofisticadas peças de joalheria, desenvolveu um modelo de anel exclusivo, que tem a finalidade de exaltar a atividade OpEsp e as realizações do referido blog em favor das unidades militares e policiais de elite brasileiras.
Elaborado de forma personalizada, com rigor técnico e design clássico, o anel FOpEso incorpora em sua estrutura um simbolismo próprio que é fundamentado no histórico do blog.


Fotografia 1: Detalhe da "Mesa" (parte superior) do Anel FOpEsp. (Fonte: Acervo Ginglass Jóias).

Denominada “mesa’, a parte principal do anel apresenta a logomarca do blog estilizada (silhueta de um operador em meia imersão, efetuando a varredura do ambiente mediante técnica conhecida como “terceiro olho”).
No oval que circunda a silhueta do operador encontram-se expostos, respectivamente, o acrônimo “FOPESP”, empregado em referência às Forças de Operações Especiais (curvatura inferior), bem como o vocábulo “QUI AUDET ADISPISCITUR” (Quem Ousa Vence) expresso em latim e adotado como lema pelo blog FOpEsp (curvatura superior). A versão em inglês dessa expressão (Who Dares Wins) foi adotada como mote pelo Serviço Aéreo Especial (SAS [Special Air Service]) britânico quando de sua criação (1941) na África do Norte durante a Segunda Guerra Mundial. Vinculado ao Exército britânico, o SAS é considerado como a mais eficiente e influente tropa especial da história.
Posicionado em cada um dos lados do oval, o símbolo do naipe de Espadas das cartas de baralho complementa o ornamento da “mesa”. Na Guerra do Vietnã (1955-1975) o Ás de Espadas (carta de maior valor entre os naipes do baralho) foi utilizado juntamente com o símbolo da caveira na condução de guerra psicológica empreendida contra os soldados norte-vietnamitas. Valendo-se da superstição característica da região, as tropas norte-americanas tinham o hábito de posicionar o Ás de Espadas sobre os corpos dos inimigos como uma representação da morte.


Fotografia 2: Detalhe da face lateral direita da estrutura circular do Anel FOpEsp. (Fonte: Acervo Ginglass Jóias).

Por sua vez, a estrutura circular que dá suporte à “mesa” e envolve o dedo do usuário expõe uma imagem simbólica em cada um das duas faces. Na face direita encontra-se a figura de um Tridente, arma branca utilizada por Poseidon (Netuno), considerado como deus supremo dos mares e das águas na mitologia grega (romana). O Tridente é uma referência ao vínculo do blog FOpEsp com a Marinha do Brasil, uma vez que o Prof. Ms. Rodney Alfredo P. Lisboa (fundador e editor do blog) foi aluno da Escola de Guerra Naval (EGN) despontando como pesquisador da temática OpEsp nesta instituição de ensino.  


Fotografia 3: Detalhe da face lateral esquerda da estrutura circular do Anel FOpEsp. (Fonte: Acervo Ginglass Jóias).

Na face esquerda da estrutura circular está a figura icônica de um crânio humano trespassado por um punhal. Em 1944, na iminência da derrota alemã em território francês, as tropas aliadas avançavam sobre os soldados nazistas que, sem alternativa, tentavam retornar para a Alemanha. Particularmente as Waffen-SS, devido às atrocidades cometidas no decorrer da guerra, tornaram-se o alvo preferencial dos Commandos franceses (tropa formada por voluntários da Marinha, Fuzileiros Navais e Exército organizados conforme modelo britânico). Nesse contexto, quando assediavam um quartel da tropa de elite nazista, um operador Commando se deparou com a escrivaninha de um oficial alemão, na qual havia uma caveira que lhe servia de adereço. Sem hesitar, o operador sacou sua adaga de combate Fairbairn-Sykes cravando a lâmina delgada no ornamento como símbolo da vitória sobre as tropas que causavam à morte. Essa passagem, sem qualquer evidência histórica, baliza o início do mito, transmitido por tradição oral, da “Faca na Caveira”.



Para os interessados em adquirir esta peça exclusiva, a Ginglass Jóias disponibiliza duas versões do anel FOpEsp: 
  1. Prata;
  2. Prata com Detalhe em Ouro Amarelo. 

Contatos e pedidos favor acessar o link:

https://www.ginglassjoias.com.br/search/?q=FOPESP




quinta-feira, 24 de agosto de 2017

No Olho do Furacão: Capacidade de Manter a Concentração em Eventos de Risco Elevado Característicos das Operações Especiais

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Fotografia 1: Equipe tática do GROM (Grupa Reagowania Operacyjno-Manewrowego [Grupo de Resposta Operacional Móvel]) do Exército Nacional polonês participam de adestramento de progressão e entrada tática. (Fonte: Disponível em: http://wawalove.pl/Pokazy-jednostek-specjalnych-na-Cyplu-Czerniakowskim-i-Wisle-g15488/foto_74067 Acesso em: 23 ago. 2017). 

Tal como ocorre em qualquer atividade que realizamos rotineiramente, a eficiência dos resultados obtidos depende do conhecimento que temos em relação ao método (técnica) e do conjunto de habilidades que nos tornam capaz de executá-las. Contudo, ainda que seja relegada ao esquecimento, principalmente pelos integrantes da sociedade ocidental, constantemente suscetíveis ao desenrolar de tarefas múltiplas e simultâneas, a capacidade de alcançar e manter o foco no cumprimento de uma ação figura como uma condição imprescindível na busca pela consecução dos objetivos propostos. Seja na ação de lavar um prato, pintar um quadro, modelar uma escultura, ou executar a complexa sequência de movimentos de uma coreografia, o sucesso da prática dependerá do elo mental estabelecido entre o executante e a tarefa por ele executada. 
Por mais que as atividades humanas requeiram capacidades físicas e cognitivas que nos possibilitem executar tarefas com níveis satisfatórios de desempenho, elas somente estarão em condições de alcançar a alta performance quando o indivíduo que a executa dispõe toda sua capacidade de concentração na atividade por ele realizada.
Analisadas pela perspectiva oriental japonesa, as atividades da vida diária, sejam elas de natureza simples ou complexa, necessariamente devem ser realizadas estando a mente do executante totalmente voltada para a prática em questão, com a finalidade de maximizar os efeitos dela obtidos. Nesse contexto, as artes marciais nipônicas evidenciam no conceito de Zanshin o estado mental que possibilita constituir uma percepção espaço-temporal (consciência situacional) que conecta o executante de uma técnica de luta, não apenas ao adversário que encontra-se em seu angulo de visão, mas aos vários adversários que, eventualmente, possam estar dispostos pelo ambiente.
Ainda que a maioria das pessoas não se preocupem em buscar a alta performance na execução de suas práticas diárias, existem obrigações cuja natureza do desafio requer nada menos que o máximo desempenho para que os objetivos sejam alcançados.


Fotografia 2: Durante a  "Operação Formosa 2016", quadros operacionais do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (Batalhão Tonelero) da Marinha do Brasil, executam segurança de perímetro visando pouso de aeronave de asa rotativa. (Fonte: Fotografia de Yam Wanders).
Como profissional de Educação Física que se dedica investigar processos de formação esportiva, saliento que um dos principais desafios dos atletas e equipes de alta performance encontra-se diretamente relacionado à capacidade de sustentar a mente focada no decorrer de uma prova, partida ou combate. Assim, quando um atleta olímpico perde o foco ou se mostra desconcentrado, o resultado de sua desatenção, quando considerado um resultado negativo extremo, pode ocasionar “apenas” em uma derrota desportiva sem maiores riscos à sua segurança. Todavia, em se tratando de alto desempenho, o mesmo não se aplica às práticas esportivas de aventura.
Nos esportes de aventura o termo “radical” que popularmente é empregado para descrevê-los não é usado de forma aleatória, uma vez que serve, entre outras aplicações, para definir os riscos extremados aos quais os praticantes das modalidades dessa ordem se submetem. Nesse sentido, para os atletas que se arriscam na prática desse gênero esportivo, a capacidade de manter-se compenetrado controlando sua habilidade para solucionar eventuais adversidades é uma questão de sobrevivência. Qualquer descuido, por menor que seja, representa risco de morte.
Voltando nossa atenção para as atividades militares/policiais de natureza especial, é possível fazer uma analogia da tenacidade mental requerida do Elemento de Operações Especiais (ElmOpEsp) com a capacidade de concentração dos atletas de aventura de alto rendimento.
Por serem consideradas como ações de natureza crítica aos interesses dos Estados que as patrocinam dependendo do modo como são empregadas e conduzidas, as Operações Especiais (OpEsp), necessariamente, devem ser executadas pelos quadros operacionais da(s) unidade(s) engajada(s) com o maior zelo e aplicação possível devido ao caráter sensível das implicações envolvidas. Desse modo, dispor de uma mente focada na execução de suas tarefas e no cumprimento dos objetivos estabelecidos é uma condição indispensável para o ElmOpEsp.
Como se não bastasse o elevado nível de criticidade e a tensão gerada por ele, no desempenho de suas tarefas operativas os operadores são submetidos a uma grande diversidade de agentes estressores que sistematicamente colocam todas suas capacidades (incluindo a concentração) à prova.


Fotografia 3: PJs (Para Jumpers) da Força Aérea norte-americana executam exercício de resgate em combate juntamente com o 103º Esquadrão de Resgate (103th Rescue Squadron) da ala aérea da Guarda Nacional de Nova York. (Fonte: Disponível em: https://health.mil/News/Articles/2015/10/20/Air-Force-Pararescue-Im-BATMAN Acesso em: 23 ago. 2017).

Estudado e denominado por cientistas ocidentais como "Flow" (Estado de Fluxo), esta condição específica da consciência humana, desejável por ocasião da sensação de profundo envolvimento e controle que proporciona, levando o indivíduo a alcançar o ápice de sua performance física e psicológica, caracteriza-se pelo advento de algumas manifestações: clareza mental; distanciamento emocional; capacidade de tomar decisões em conformidade com o nível de complexidade da tarefa executada; distorções relacionadas à percepção do tempo (minutos parecem durar uma fração de segundo enquanto poucos minutos parecem durar longas horas).
No desempenho das tarefas operativas à cargo dos quadros operacionais das FOpEsp, seria conveniente que cada operador buscasse desenvolver capacidades psicológicas que fomentem a manifestação deste estado mental enquanto realiza as obrigações que lhe foram conferidas, não importando se a missão em questão é de natureza simples ou complexa, se é definida como sendo de alta criticidade ou não.
Por mais que as manifestações desse estado de consciência sejam, na maioria dos casos, experimentadas diariamente por cada um de nós de forma absolutamente efêmera, arrefecendo de forma tão repentina e surpreendente quanto surgiram, o que se deseja para o ElmOpEsp é que cada operador (considerando o princípio da individualidade), consciente das especificidades de sua profissão, encontre caminhos que favoreçam sua capacidade de controlar o surgimento e o desaparecimento dessas manifestações conforme sua vontade, ligando-as e desligando-as como faz com um interruptor de corrente elétrica. Cabe a cada um trilhar o próprio caminho para explorar o máximo potencial de suas capacidades humanas (físicas, intelectuais e psicológicas) no intuito de encontrar esse estado mental de superação dos limites e realização de proezas extraordinárias. 





terça-feira, 15 de agosto de 2017

Guerra das Falklands/Malvinas: Operações Especiais Executadas pelo SBS britânico no conflito do Atlântico Sul (Parte Final)

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Ilustração 4: Dupla de Mergulhadores Canoístas (Swimmer Canoeist [SC]) do Esquadrão Especial de Embarcações (Special Boat Squadron [SBS]) britânico compõem a tripulação de um caiaque durante uma incursão em ambiente ribeirinho. (Fonte: Composição artística elaborada por Rodney Alfredo P. Lisboa).  


Conquistada a soberania britânica nas ilhas Geórgia do Sul e na iminência da ação militar objetivando a retomada das Falklands, os comandantes da FT-317 ainda não dispunham de informações confiáveis em relação à quantidade, capacidade e disposição das tropas argentinas no território por elas ocupado. Ávidos por obter informações relacionadas ao inimigo e ao terreno, os comandantes britânicos resolveram enviar suas FOpEsp para realizar o reconhecimento das Falklands Ocidental e Oriental. Encobertos pela escuridão da noite do primeiro dia de maio, oito equipes Serviço Aéreo Especial (Special Air Service [SAS]) e Esquadrão Especial de Embarcações (Special Boat Squadron [SBS]) foram transportadas por via aérea (por helicópteros Sea King embarcados no Navio Aeródromo HMS Hermes) e marítima (por botes infláveis Gemini), desembarcando clandestinamente nas ilhas, onde permaneceram coletando e transmitindo informações até o final do conflito.
Os operadores SBS foram os primeiros militares britânicos a desembarcar nas Falklands com o objetivo de observar as posições argentinas e fazer o levantamento da área, reunindo informações que acabariam por se constituir no conjunto de dados de Inteligência mais importante para o planejamento da manobra de desembarque das tropas de assalto (Operação Sutton). Operando preferencialmente à noite e valendo-se de sua acurada aquacidade, seis equipes de Nadadores Canoístas (Swimmer Canoeists [SCs]) executaram inúmeras ações de reconhecimento acima e abaixo da superfície, arregimentando valiosos conhecimentos que serviram para determinar quais as praias mais adequadas para receber as tropas britânicas. Paralelamente às atividades de reconhecimento anfíbio, os operadores SBS transmitiam mensagens de rádio em espanhol no intuito de desestabilizar psicologicamente as tropas argentinas que guarneciam as ilhas.


Ilustração 5: Operador do SBS no decorrer da "Operação Sutton", marcada pelas manobras de desembarque das tropas britânicas nas ilhas Falklands/Malvinas. (Disponível em: ://photobucket.com/gallery/user/Bencejas1/media/cGF0aDovbWFsYXlzaWFuLXNvbGRpZXJzLTFfenBzc2RlajV1NTkuanBn/?ref= Acesso em: 14 ago. 2017).

Após minuciosa análise dos dados coletados nas praias da Falkland Oriental, os SCs sugeriram três praias como opção para o desembarque anfíbio: Port North; Port Stanley; San Carlos Water. Embora Port North e Port Stanley acomodassem bem a operação, ambas foram descartas por motivos distintos, incidindo a escolha em San Carlos Water, braço de mar que bifurca a norte e sul invadindo a Falkland Oriental. Entretanto, para que o desembarque ocorresse sem enfrentar grande resistência, foi necessário que 40 operadores do Esquadrão G do SAS destruíssem o grupo de 11 aviões, sendo seis aeronaves Pucará, localizados no campo de pouso argentino da Ilha Peeble. Com seu arsenal de ataque terrestre, os Pucará representavam uma séria ameaça ao empreendimento britânico.
A manobra de desembarque teve início na noite de 20 de maio, quando o Grupo Tarefa (GT) adentrou o estreito das Falklands. Enquanto isso, levando-se em conta que a surpresa era uma vantagem da qual as tropas de desembarque não poderiam prescindir, uma vez que o contingente britânico do GT era deficitário em relação a guarnição argentina das ilhas, equipes SAS e SBS, que realizavam operações encobertas no arquipélago a mais de duas semanas, realizaram uma ação diversionária em Port Darwin e Goose Green, localidades distantes das praias de desembarque. Na madrugada do dia seguinte, as tropas foram conduzidas para o povoado de San Carlos (Comando 40 dos Royal Marines e 2° Batalhão do Regimento de Paraquedistas do British Army), baía Ajax (Comando 45 dos Royal Marines) e Port San Carlos (3° Batalhão do Regimento de Paraquedistas do British Army), onde avançaram rapidamente a fim de estabelecer uma cabeça-de-praia, assegurando o desembarque das tropas que chegariam em seguida. Em Fanning Head, um contingente argentino que guarnecia a entrada de San Carlos Water, lançou mão de sua artilharia antiaérea para abater helicópteros britânicos. Em resposta à ação inimiga, 32 operadores SBS, transportados pelo Helicóptero Wessex do HMS Antrim próximo ao local, orientaram os disparos do Contratorpedeiro contra as posições argentinas que logo foram vencidas.
O avanço das tropas britânicas pelo acidentado terreno das Falklands em direção à Port Stanley (capital das ilhas) ocorreu de forma lenta e gradativa pelos flancos norte (passando pelo assentamento Goose Green) e sul (passando pelo assentamento Teal Inlet) entre os meses de maio e junho. Durante a progressão britânica pelos 92,5 km que separava os locais de desembarque de Port Stanley, os operadores do SBS envolveram-se em vários confrontos contra as tropas argentinas.


Fotografia 1: Operadores SBS e fuzileiros navais do Comando 148 após eliminar a resistência argentina que se opôs ao assédio britânico em San Carlos Water. (Fonte: Disponível em:. Acesso em: 14 ago. 2017).

A última ação do SBS na Guerra das Falklands ocorreu na noite de 13 para 14 de junho, como parte de uma ação diversionária que atrairia a atenção das tropas argentinas enquanto o 2° Batalhão do Regimento de Paraquedistas realizava o assédio a Wireless Ridge, cadeia de montanhas distante 8 km a oeste de Port Stanley. Na ocasião, um destacamento constituído por três equipes do Esquadrão D do SAS acrescido de seis operadores SBS, executou uma ousada ação diversionária em Howdern Water. Utilizando quatro lanchas pneumáticas de casco rígido para atacar uma base logística próxima à capital do arquipélago, a força atacante enfrentou forte oposição assim que abicou na praia. Fundeado muito próximo da costa, o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) argentino ARA (Armada de la República Argentina) Bahia Paraiso, embora proibido pela Convenção de Genebra de participar de ações de combate, abriu fogo contra as FOpEsp britânicas. Em apoio ao NAsH, a guarnição da base logística também disparou contra os atacantes. Sem alternativas, os operadores foram forçados a se evadirem do local trocando fogo com os tripulantes da embarcação. Embora as quatro lanchas estivessem praticamente destruídas, para os britânicos o saldo foi de apenas três operadores feridos.
Após intenso ataque aéreo administrado pela Real Força Aérea (Royal Air Force [RAF]) no dia 14 de junho, as tropas britânicas avançaram cautelosamente pelas ruas de Port Stanley, procurando por eventuais focos de resistência. À medida que as unidades britânicas se deslocavam pela capital, ficou evidente que os argentinos haviam desistido de combater. Finalmente, na noite daquele mesmo dia, o comandante da força terrestre britânica, Major-General Jeremy Moore, aceitou os termos de rendição das tropas argentinas.




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Guerra das Falklands/Malvinas: Operações Especiais Executadas pelo SBS britânico no conflito do Atlântico Sul (Parte 1)

Texto elaborado por Rodney Alfredo P. Lisboa


Ilustração 1: Composição artística utilizando o emblema do Serviço Especial de Embarcações (Special Boat Service [SBS]), tropas especial do Real Corpo de Fuzileiros Navais britânico (Royal Marines) que na época da Guerra das Falklands (1982) era denominado Esquadrão Especial de Embarcações (Special Boat Squadron). (Fonte: Disponível em: https://special-ops.org/sof/unit/special-boat-service-united-kingdom/ Acesso em: 1 ago. 2017).

Localizadas na região sul do oceano Atlântico, a cerca 740 km a leste do território argentino e a aproximadamente 12.000 km ao sul do Reino Unido, as ilhas Falklands (denominação britânica do arquipélago conhecido pelos argentinos como Malvinas) constituem território britânico ultramarino cuja soberania é historicamente contestada pelo governo de Buenos Aires.
Arquipélago formado por duas ilhas principais (Falkland Ocidental/Grande Malvina e Falkland Oriental/Soledad) e várias ilhas menores, esse conjunto de ilhas possui uma relação histórica secular com a Grã-Bretanha. No século XVII, o navegador britânico John Strong desembarcou e tomou posse das ilhas do Atlântico Sul, as quais batizou com o nome do Visconde de Falkland, responsável por patrocinar àquela expedição naval. Durante o século XVIII, quando as rotas de comércio internacional eram realizadas exclusivamente por mar, os britânicos mostravam-se particularmente interessados em valer-se da estratégica posição geográfica do arquipélago localizado nas proximidades do Estreito de Drake, que até a abertura do Canal do Panamá (inaugurado em 1914) representava a única passagem que interligava os oceanos Atlântico e Pacífico.
O período entre 1764 e 1771 foi marcado por intensas disputas territoriais entre espanhóis e britânicos, que ocupavam a Falkland Oriental e a Falkland Ocidental respectivamente. O impasse terminou com os espanhóis aceitando a presença britânica na ilha situada a Oeste, enquanto Londres reconheceu a autoridade espanhola no arquipélago. No século XIX, com o advento da Guerra de independência das Provinciais Unidas do Prata (1810-1818), Londres concluiu que a autoridade espanhola no arquipélago havia terminado. Por sua vez, o governo de Buenos Aires, acreditando ter herdado o arquipélago dos espanhóis, requeria a soberania das ilhas para a nação argentina. Em 1828, tomando a iniciativa de proclamar sua autoridade em relação às ilhas, os argentinos estabeleceram um assentamento de colonos no local. Em resposta à ação argentina, os britânicos fazem valer sua posição de forma definitiva, expulsando os colonos sul-americanos entre 1831-1832, e passando a exercer sua soberania no arquipélago desde 1833.
No decorrer do século XX, a Argentina passou a requerer a soberania do arquipélago de forma mais veemente, colocando a questão junto aos organismos internacionais como um problema relacionado à identidade da nação. Para o governo militar instituído em 1976, recuperar a soberania das ilhas representava uma estratégia política, que entre outros objetivos, daria sustentação ao regime.   


Ilustração 2: Mapa das ilhas Falklands/Malvinas Ocidental e Oriental. (Fonte: Disponível em: https://guerraearmas.wordpress.com/2014/06/page/2/ Acesso em: 1 ago 2017).

Em 1982, decididos a resolver o problema das Falklands, o triunvirato militar composto pelo General-de-Divisão Leopoldo Fortunato Galtieri Castelli, Contra-Almirante Jorge Isaac Anaya e Brigadeiro-General Basilio Lami Dozo, que respondiam pelo governo argentino, certos de que contariam com apoio dos EUA em virtude da excelente relação existente entre Washington e Buenos Aires, optaram por colocar em prática a operação de invasão (denominado Plano Goa) desenvolvida ainda na década de 1960.
Em março de 1982, o navio de transporte argentino Bahia Buen Suceso atracou no porto de Leith nas ilhas Geórgia do Sul, território de possessão britânica distante cerca de 1.280 km das Falklands, com o pretexto de desembarcar um grupo de 42 trabalhadores que removeriam os restos de uma estação baleeira abandonada de propriedade do empresário argentino Constantino Davidoff. Sem se preocupar em obter autorização para realizar tal empreendimento, o grupo tomou a iniciativa de erguer a bandeira Argentina ao som do hino nacional.
Informado pelo embaixador britânico que o evento sucedido nas ilhas Geórgia do Sul violava a soberania britânica na região, o governo argentino mostrou-se solidário a seus compatriotas e manifestou sua intenção de protegê-los. Ainda no decorrer de março, sob alegação de realizar manobras navais com a Marinha Uruguaia nas proximidades de Ushuaia, uma significativa força naval argentina partiu da Base Naval Puerto Belgrano em direção às Falklands. A invasão das ilhas, levada a cabo sob codinome “Operação Rosário”, realizou seu intento sem grandes dificuldades, subjugando a pequena guarnição de 68 Royal Marines responsável por prover a defesa do arquipélago, capturando e prendendo o governador Rex Hunt posteriormente.
A ocupação das ilhas Falklands pela Marinha Argentina (Armada de la República Argentina [ARA]) causou grande comoção entre a opinião pública britânica, que acusava o governo conservador da primeira-ministra Margaret Thatcher de negligenciar a segurança dos kelpers (habitantes locais de origem majoritária britânica) e ignorar as evidências de uma invasão iminente. Com a crise política instalada, a premiê britânica autorizou uma resposta militar imediata, que seria levada a cabo com a denominação “Operação Corporate”. Nesse contexto, a Força-Tarefa 317 (FT-317), composta por 30 navios de guerra e uma força expedicionária composta por milhares de homens, foi enviada para o Atlântico Sul em abril.
A FT-317, juntamente com os Navios-Aeródromo (NAe) HMS Hermes e HMS Invincible, atracaram na ilha de Ascenção, território de possessão britânica situado na região central do Atlântico (distante 7.400 km das Falklands), que seria transformada em uma base avançada para o abastecimento do contingente militar que combateu as forças argentinas enquanto durou o conflito.
O componente militar britânico responsável pela retomada do arquipélago das Falklands era formado por um corpo expedicionário constituído de 28.000 homens, uma força aeronaval formada por 33 navios de combate, 60 navios mercantes utilizados para transporte, além de uma centena de aeronaves de asa fixa e rotativa. A ponta de lança das forças terrestres era composta por 9.500 soldados divididos em duas brigadas: 3ª Brigada de Comandos (Royal Marines e Paraquedistas) e a 5ª Brigada de Infantaria. As Forças de Operações Especiais (FOpEsp), compostas pelo Serviço Aéreo Especial (Special Air Service [SAS]) e Esquadrão Especial de Embarcações (Special Boat Squadron [SBS], atual Special Boat Service), operavam incorporadas à essas duas brigadas.
A primeira ação da qual o SBS tomou parte no conflito contra as forças argentinas em 1982 foi a retomada das ilhas Geórgia do Sul, localizadas a cerca de 1.440 km a leste das Falklands. Levada a efeito entre 21 e 26 de abril, o desembarque das tropas britânicas, realizado sob codinome “Operação Paraquat”, foi organizado a partir do reconhecimento marítimo conduzido por meio submarino (pela embarcação de propulsão nuclear HMS Conqueror), e aéreo (pelo avião-tanque Handley Page “Victor” adaptado para executar reconhecimento fotográfico). Confirmada a ausência de navios de guerra argentinos no entorno das ilhas Geórgia do Sul, no dia 20 de abril um avião Hércules C-130 partiu da ilha de Ascenção transportando 12 operadores SBS, que desembarcaram da aeronave em pleno voo saltando de paraquedas. Após pousarem na água, os SCs embarcaram no Submarino convencional (propulsão diesel-elétrico) HMS Onyx que estava navegando em direção às ilhas alvo.


Ilustração 3: Operador da Seção  N° 2 do SBS durante operação de incursão nas ilhas Geórgia do Sul objetivando a retomada do território ocupado por tropas argentinas. (Fonte: Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/21814379423062347/ Acesso em: 1 ago. 2017).

Neste ponto, é necessário relacionar o contingente militar britânico que compunha o Grupo-Tarefa (GT) destacado para a retomada das ilhas Geórgia do Sul: Contratorpedeiro (CT) HMS Antrim acrescido de um helicóptero Wessex embarcado; Fragata (F) HMS Plymouth acrescida de um helicóptero Wasp embarcado; Fragata (F) HMS Brilliant acrescida de um helicóptero Lynx embarcado; Navio de Patrulha (NPa) Antártica HMS Endurance acrescido de dois helicópteros Wasp embarcados; Navio-Tanque (NT) RFA Tidespring acrescido de dois helicópteros Wessex embarcados; Esquadrão D do SAS; Seção N° 2 do SBS; Companhia M do Comando 42 dos Royal Marines.
As condições adversas do local, com ventos fortes, mar agitado, baixa temperatura e pouca visibilidade, impossibilitaram a ação inicial do SBS, a ser desempenhada durante a noite do dia 22 de abril por Nadadores Canoístas (Swimmer Canoeist [SC]) tripulando botes infláveis de assalto “Gemini” (seis homens por embarcação). As tempestades características da região lançaram farpas de gelo que perfuraram as embarcações, impossibilitando a incursão que teria a área de Sorling Valley como objetivo final.
No dia 24, empregando o helicóptero Lynx, da Fragata HMS Brilliant, um destacamento de operadores SBS desembarcou clandestinamente na região do Fiorde Moraine, ocupando posições estratégicas que lhes serviriam como postos de observação das atividades inimigas visando a orientação das forças de assalto britânicas que desembarcariam posteriormente nas ilhas Geórgia do Sul.
No dia seguinte, valendo-se do impacto psicológico de ter inutilizado o submarino argentino ARA Santa Fe, detectado na madrugada daquele mesmo dia, os britânicos anteciparam a invasão reunindo um grupamento composto pelos Royal Marines embarcados no CT Antrim, nas Fs Brilliant e Plymouth, além de operadores SAS e SBS, que foram transportados de helicóptero para a região de Hestesletten, nas proximidades de Grytviken. Após sucessão de fogo naval disparado pelo Antrim e pela Plymouth contra as posições argentinas, o destacamento britânico avançou sem enfrentar resistência, aceitando a rendição da guarnição de Grytviken no dia 25. A guarnição de Leith rendeu-se na manhã seguinte, data em que a Union Jack (bandeira da Grã-Bretanha) e a White Ensign (pavilhão de combate da [Real Marinha britânica [Royal Navy]) foram hasteadas simbolizando a retomada das ilhas Geórgia do Sul pelo Reino Unido.


Continua...